Jorge Palma volta a cantar no metro Para muitos, o regresso do trabalho teve um sabor diferente."Há mais de dez anos que não via um concerto", dizia Maria Antónia em plena estação do Cais do Sodré, antes de Jorge Palma entrar no palco improvisado. O concerto, integrado na Semana da Mobilidade, chamou muitos fãs de um dos músicos portugueses com um percurso mais notável e também gente que por ali passa todos os dias, a caminho do trabalho ou de regresso a casa.
Mas também houve casos de surpresa total perante o acontecimento. Foi o caso de Joana e Pedro, acabados de entrar na faculdade, o que era facilmente reconhecível pelo seu ar praxado, e que não estavam "à espera de ver o Jorge Palma no metro".
Pouco familiarizados com o passado do cantor português, que começou justamente por cantar em estações do metropolitano, em Paris, nem por isso ficaram menos satisfeitos e formularam até o desejo "de ver algo parecido" na universidade.
A estação do Cais do Sodré encheu-se e não havia quem não desse pela electricidade destilada pelos cinco músicos (Palma incluído). Mas foi o intérprete principal da festa o primeiro a admitir "que o concerto foi muito diferente dos dias em que tocava no metro".
Naquele tempo, Palma "tinha que cantar muito para ganhar mais dinheiro" e chegava "a fazê-lo durante oito horas seguidas". Por isso, "não era por acaso que cantava melhor nessa altura", disse ainda entre risos.
Da parte do Metropolitano de Lisboa, um elemento das relações públicas referiu ao DN que a escolha de Jorge Palma para a Semana da Mobilidade tem a ver com o facto de ser "um artista querido, com muita ligação ao metro". Por outro lado, esta iniciativa surgiu com o "objectivo de sensibilizar as pessoas, através da música, para utilizarem o metropolitano".
Foi uma tarde diferente naquela que é uma das estações mais concorridas da cidade. Enquanto alguns grupos se divertiam a tirar fotografias e a gravar vídeos com o telemóvel, outros cantavam Dá-me Lume, Só e o recente Encosta-te a mim com os olhos fechados, imaginando um espectáculo normal, com cadeiras, luzes e som a condizer. Mesmo assim, tudo soou bem e o próprio Jorge Palma reconheceu no final "que o som tinha qualidade", ao contrário do que acontecia nos seus primórdios.
"Não vale a pena andar de carro em Lisboa", disse o músico, como mensagem final.
DN (21-09-2007)