«Eu gravei as pulseiras. Tinham lá o nome dos árbitros» Um ourives contou esta tarde no Tribunal de Gondomar como erama feitas entregas de pulseiras em ouro ao presidente do Gondomar. «Era aos domingos, quando havia futebol, por volta da uma hora», relatou outra testemunha
O ourives Fernando Ribeiro, que forneceu José Luís Oliveira de artigos em ouro pelo menos desde Novembro de 2002 a Abril de 2004, disse hoje no Tribunal de Gondomar que, em duas ocasiões, entregou pulseiras com inscrições alusivas aos jogos S.L. Benfica - Gondomar Sport Clube (Novembro de 2002) e Paços de Ferreira -GSC (eliminatória seguinte).
«Eu gravei as pulseiras. Tinham lá o nome dos árbitros», afirmou.
Apenas em relação a estas duas ocasiões -- jogos a contar para a Taça de Portugal, onde os árbitros principais seriam António Taia, no primeiro caso, e Nuno Almeida, no segundo --, a testemunha se sentiu à vontade para responder ao tribunal que sabia que destino teriam as peças, uma vez que as inscrições não deixam marcas para dúvida.
Sobre as restantes entregas, que ocorreram semanalmente (com algumas excepções), sempre ao fim-de-semana e antes dos jogos do Gondomar, o ourives responde, num primeiro instante: «Eu limito-me a fazer o meu serviço».
Questionado pela Acusação se tinha consciência que aquele ouro era para os árbitros, respondeu «sim».
Durante um ano e cinco meses, terá feito entregas no valor total de cerca de 14 mil euros (parte deste valor só recebeu na justiça, numa acção intentada no Tribunal de Gondomar).
As entregas eram feitas quase sempre em sua casa, aonde se dirigia, por norma, José Luís Oliveira. Em algumas ocasiões que o presidente do GSC não pôde, foi Joaquim Castro Neves quem levantou o ouro.
Por quatro vezes, o ourives entregou as peças em ouro noutros locais: duas vezes no campo do GSC, uma no café Giardino (entrega que a Polícia Judiciária vigiou) e outra noutro restaurante ou café cujo nome não recordava.
«Normalmente eram entregas no valor de 700 euros, onde se juntavam cinco ou seis peças», relatou Fernando Ribeiro.
As entregas eram feitas num «saco azul» que continha normalmente seis caixinhas. Na relação de vendas do ourives a José Luís Oliveira que consta dos autos, estão entregas no valor de mil euros, que a testemunha esclareceu serem colares de senhora.
Recorde-se que, de acordo com o testemunho dos inspectores da PJ que vigiaram a entrega no Giardino, em certa ocasião foram pedidos mais objectos que o costume por alguém da família dos destinatários dos presentes fazer anos.
A quantidade de objectos variava, mas as entregas, à excepção daquelas que incluíram jóias de senhora, nunca excediam o total de 700 euros.
Esta tarde, o tribunal ouviu ainda Mário Ribeiro, ourives e pai da testemunha anterior, que recebeu «três a cinco vezes» José Luís Oliveira em sua casa para lhe entregar o ouro, quando o filho estava para fora.
«Era aos domingos, antes do futebol, por volta da uma hora [da tarde]», relatou. «Faz ideia para quem era mas não tem é certeza?», perguntou-lhe o procurador Gonçalo Silva. «Exactamente», respondeu três vezes Mário Ribeiro.
Recorde-se que os artefactos em ouro apreendidos em casa dos árbitros arguidos neste processo tinham a punção – marca de contraste única para cada fabricante – da F. Ribeiro.
sol