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EUA: obesidade, tabaco e hipertensão aumentam disparidades na esperança de vida
24.04.2008 - 16h47 AFP, Reuters, PUBLICO.PT
A esperança de vida nos EUA aumentou em seis anos para as mulheres e mais de sete para os homens, durante o período entre 1959 e 2001. Mas as disparidades também aumentaram, pois houve uma diminuição da esperança de vida de mulheres que vivem em zonas pobres e rurais, fenómeno largamente relacionado com doenças originadas por tabaco, obesidade e hipertensão.
Estas são as principais conclusões de um estudo da Escola de Saúde Pública de Harvard e da Universidade de Washington. O trabalho começou a ser feito ainda na década de 80 e foram analisados dados de mais de dois mil condados. Concluiu-se que em cerca de mil desses condados, a maioria pobres e rurais, houve uma regressão da esperança de vida, essencialmente das mulheres.
“A maioria desses condados situa-se no Sul profundo, ao longo do rio Mississippi e na Appalachia [zonas abrangidas pela cordilheira dos Apalaches], estendendo-se à área meridional do Midwest e ao Texas”, escreveu a equipa de investigadores, revelando que os condados mais afectados também sofrem outros problemas sociais, como mais insucesso escolar.
Enquanto no total dos EUA a esperança de vida tem aumentado devido à regressão das mortes causadas pelos problemas cardíacos e os acidentes vasculares cerebrais, nestas áreas tem-se registado um fenómeno contrário: no caso das mulheres, o aumento da mortalidade deve-se “primeiramente a doenças crónicas relacionadas com o tabaco, excesso de peso e obesidade, e hipertensão”, enquanto nos homens, cuja perda não foi tão acentuada, há uma maior diversidade de causas, como a sida e os homicídios.
“Há agora provas de que a saúde de parte importante da população dos EUA tem vindo a piorar nas últimas duas décadas”, afirmou, em comunicado, Majid Ezzati, professor associado de saúde internacional da Harvard School of Public Health e co-autor do estudo: “Registar, em 20 anos, um declínio em uma de cada cinco mulheres norte-americanas é algo sem precedentes. Estamos a deixar para trás uma parte cada vez maior da população.”
Afirmações completadas por outro dos autores do estudo, Christopher Murray, director do Instituto de Saúde Métrica e Avaliação da Universidade de Washington: “Declínio da esperança de vida é algo que tradicionalmente tem sido considerado um sinal de que os sistemas sociais e de saúde estão a falhar, como aconteceu em partes de África e na Europa de Leste. O facto de isto estar a acontecer a um número alargado de norte-americanos deve ser um sinal de que o sistema de saúde dos EUA necessita de uma reavaliação séria.”
As conclusões do estudo revelam inúmeras excepções aos dados revelados no ano passado pelos CDC (Centros para Controlo e Prevenção de Doenças), segundo os quais a esperança de vida dos norte-americanos subiu de 69,6 anos em 1955 para 75,8 em 1995 e 78 em 2005, e que as mulheres vivem mais que os homens, o mesmo acontecendo às pessoas de raça branca em comparação com os afro-americanos. De acordo com os investigadores, apesar de muitos dos condados terem uma quantidade significativa de população negra, os brancos que vivem nessas áreas pobres também estão bastante pior que os brancos de regiões mais ricas.