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 Chipre do Norte - O bastardo da Europa

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ypsi



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MensagemAssunto: Chipre do Norte - O bastardo da Europa   Sab Out 06, 2007 4:06 pm

Chipre do Norte - O bastardo da Europa




A ilha mediterrânica de Chipre acolhe dois países e um conflito
que começou há 33 anos.


Para José Carreras não terá passado de apenas mais um espectáculo.

Mas, para os cipriotas turcos, o concerto que o tenor espanhol deu nas ruínas de Salamis foi a vários níveis histórico. Não é todos os dias que um artista de calibre fura o isolamento internacional a que está votada a parte norte da terceira maior ilha do Mediterrâneo.

"Ele já podia ter vindo há dois anos, mas foi impedido por eles", diz Fatma, uma cipriota turca de 34 anos. "Eles" são os cipriotas gregos, que vivem na parte sul da ilha, reconhecida internacionalmente como República de Chipre e membro da União Europeia desde 1 de Maio de 2004.

Declarada independente em 1983, a República Turca do Norte de Chipre e os seus 265 mil habitantes têm uma única porta para o mundo - a Turquia, o único país que a reconhece.

Como herança da invasão turca de 1974, há 23 mil militares turcos estacionados no norte, e a ajuda económica de Ancara ascende a 220 milhões de euros por ano.

Fala-se turco, paga-se em liras turcas (1€ = 1,75lt), as operadoras telefónicas são turcas e nos restaurantes come-se "kebbab" turco e bebe-se vinho turco. Kemal Ataturk, o pai da Turquia moderna, está por todo o lado, a CNN turca em todas as televisões e os turistas turcos desembarcam aos magotes.

Nas noites de domingo, as esplanadas da marina de Kerynia, na costa norte, transbordam de gente. Nas fachadas dos bares e restaurantes há vários plasmas sintonizados num jogo da liga turca. A cada golo do Galatasaray, a marina transforma-se numa imensa claque do clube de Istambul.

No Chipre do Norte, não se lamenta esta dependência em relação à 'terra-mãe', como chamam à Turquia. O salário mínimo ronda as 900 liras turcas (515 euros), 60% da população tem um curso universitário e o território é o maior importador de BMW "per capita" do mundo.

Quanto à presença de militares turcos, representam segurança para os habitantes deste lado da ilha.

O insólito da parte norte - um dos poucos sítios do mundo onde não existe um McDonald's - prende-se com a ausência de relações comerciais directas com o estrangeiro: se um empresário quiser importar vinho português, só poderá fazê-lo através de um intermediário turco.

Também as ligações directas para o aeroporto de Ercan não abundam: do estrangeiro, só se voa para Chipre do Norte através de Istambul.

Governada no passado pelos britânicos, a ilha de Chipre - onde se conduz pela esquerda - é um popular destino de férias no Reino Unido, incluindo o norte.

Em Kerynia, o sotaque britânico soa a cada esquina, e na montra da imobiliária Remax o preçário das "villas" está em libras. "Quando os ingleses se queixam que eu tenho um nome difícil de pronunciar, digo-lhes: Não se preocupem, eu tenho uma versão inglesa, podem chamar-me Alex", brinca Dursun, um empregado de mesa do Café Harbour que nasceu em Ancara há 31 anos: "Na Turquia, a fazer o mesmo, ganharia menos de metade do que aqui".

Norte e Sul não vivem propriamente de costas voltadas. As duas comunidades visitam-se com naturalidade desde que, em 2003, foram abertos cinco pontos de passagem ao longo dos 185 quilómetros de fronteira.

O Expresso constatou que é possível atravessar a pé e quase despercebido o "checkpoint" de Ledra Gate, em Nicósia - a última capital dividida desde a Guerra Fria -, sem que os guardas cipriotas turcos e gregos perguntem ao que vamos.

Facilmente reconhecidos pela matrícula dos carros, muitos cipriotas do Sul atravessam a 'linha verde' para jogar nos casinos do Norte, onde o jogo é legal para cidadãos estrangeiros. "Temos clientes que vêm da parte grega", confirma a responsável pela sala de jogo do Casino Dome. "E também da Turquia. Apanham um voo pela manhã e passam aqui o dia. São turistas-jogadores, como os de Las Vegas".

Nas ruas, não é perceptível a mínima animosidade. Mas para os cipriotas turcos, a adesão dos cipriotas gregos à União Europeia tornou o diálogo mais difícil. "Eles estão mais arrogantes, ficaram com o bolo e nós sem nada", diz Meral, uma cipriota turca de 29 anos.

Os melhores amigos dos pais de Meral são cipriotas gregos. "Gostam imenso de conviver e de fazer férias juntos, no norte e no sul. Mas quando se sentam à mesa e começam a falar de política, está o caldo entornado...", diz.

SABOR PORTUGUÊS

O menu é farto em pastas italianas e tapas espanholas, mas comida portuguesa, nem vê-la. "Não é fácil obter os ingredientes. Onde é que eu arranjo bacalhau?", interroga Paulo Aguiar, proprietário dos Sabor, dois restaurantes portugueses em Nicósia.

"Há clientes que perguntam se não tenho sardinhas...", confessa este madeirense de 34 anos, a viver em Nicósia há cinco anos.

O negócio corre-lhe bem e Paulo já sonha já com a abertura de uma terceira casa, em Kerynia, um investimento a rondar as 100 mil libras. "Vêm cá cantores e futebolistas turcos, o Presidente Talat, o pessoal das Nações Unidas...", diz com vaidade.

80% dos clientes são turcos bem como 30 dos seus 32 empregados. "Os de cá não gostam de trabalhar em restaurantes, querem é trabalhar para o Governo, por causa do estatuto", diz o português.

Paulo saiu da Madeira aos 18 anos rumo a Londres, onde trabalhou em restaurantes e conheceu Fatma, uma cipriota turca. Aos 29 anos, optou por ir viver para a terra da mulher, um sítio mais tranquilo para criar os filhos.

Fala ao Expresso sentado na esplanada do Sabor situado junto à grande mesquita da capital. A noite já vai longa e a pequenita Inês, de 5 anos, dorme ferrada nos braços do pai. Já Kadir, três anos mais velho, não dá mostras de cansaço: "Em Portugal, o meu clube é o Porto, na Turquia é o Fenerbaçe e na Inglaterra é o Manchester United. Joga lá o Cristiano Ronaldo e o Nani".


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MensagemAssunto: Re: Chipre do Norte - O bastardo da Europa   Sab Out 06, 2007 4:18 pm

Sera um erro FATAL, admitir a TURQUIA, na U.E.!!! talvez o fim da mesma.
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