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 Da rua paras as instituições sociais

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mike

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Mensagens : 283
Data de inscrição : 16/03/2008

MensagemAssunto: Da rua paras as instituições sociais   Dom Abr 06, 2008 1:43 pm

Da rua paras as instituições sociais


"As Irmãs Oblatas são uma boa ajuda. No meu caso encaminharam-me para regularizar a minha situação." Apesar de ter adoptado o "nome de guerra" de Jessica, na realidade esta jovem de 26 anos emigrou do Leste da Europa para Portugal. Há três anos que é figura conhecida de quem passa na Rua Artilharia Um, em Lisboa, e até já se cruzou com o antigo Presidente Jorge Sampaio. Agora, conta com a ajuda das equipas de rua das Irmãs Oblatas para se legalizar.

Jessica é uma das cerca de 15 emigrantes com que a equipa de rua das Irmãs destinada à zona da Artilharia Um contacta todas as noites. Desse grupo, como nos conta a Irmã Fernanda Lopes, responsável pelas equipas constituídas cada uma por três pessoas, apenas três romenas rejeitam qualquer ajuda. Nestes casos, os assistentes sociais e voluntário que integram os grupos de rua respeitam a vontade das prostitutas e afastam-se. "Nós não somos nada moralistas em relação às mulheres. Já tive um caso em que uma me disse que estava ali para fazer sexo e que era isso que ia acontecer e nem sequer quis receber os preservativos que distribuímos, o que eu entendi perfeitamente."

Nascida em Viseu há 68 anos, a Irmã Fernanda emigrou para o Brasil com 20 anos e até aos 65 pertenceu às Oblatas de Curitiba onde desempenhava o mesmo papel, o que explica a sua abertura de espírito em relação às reacções das prostitutas. "Temos de saber abordar estas mulheres colocadas perante situações de abandono, em que deixam de ter fé em si próprias, de gostar do corpo, se sentem desamparadas." Como exemplo, a freira conta o caso de uma mulher que se prostituiu até ao quarto mês de gravidez e que só parou depois da intervenção da Obra Social das Irmãs, que a encaminhou para o Centro de Acolhimento e Orientação da Mulher, no Intendente, onde são levadas a consolidar um projecto de vida alternativo. Este processo inicia-se com o encontro na rua e passa depois pelo acompanhamento em ambulatório, a formação laboral para apoio a idoso e à comunidade, até ao acompanhamento na integração.

Em relação aos clientes, a Irmã Fernanda defende que não existe um perfil único do homem que procura a prostituição de rua, e que as mulheres garantem que os jovens continuam a recorrer em escala considerável aos seus serviços. A mesma ideia é defendida pela directora do Ninho, instituição criada há 40 anos e a primeira a prestar acompanhamento social às prostitutas em Portugal. Segundo Inês Fontinha, se em meios pobres o cliente tende a preocupar-se menos com o aspecto da mulher, os clientes que vêm de ambientes sofisticados preocupam-se com a maneira de vestir e de comportar da mulher, que desta forma se adapta à origem social do cliente. Neste caso, "não há oscilações na procura, que existe durante todo o mês", ao contrário das classes mais baixas, que recorrem à prostituição consoante a sua própria situação económica mensal.

Com base nesta tese, tanto as Oblatas como Inês Fontinha, licenciada em Sociologia, argumentam que as histórias sobre estudantes universitárias que se prostituem para pagar os estudos são meros mitos. "Nós a principio distinguíamos entre prostitutas de elite e estigmatizadas, precisamente porque havia essa ideia das estudantes, mas apercebemo-nos que essa categorização não faz sentido nenhum. Elas adaptam-se à oferta, mas continuam a pertencer a classes baixas", defende a directora de O Ninho. A Irmã Fernanda Lopes concorda e acrescenta que esta "é uma técnica de marketing das prostitutas, que ao dizerem que são universitárias estão a cumprir as fantasias sexuais dos clientes".

Inês Fontinha afirma que, ao contrário do que se possa pensar, estas prostitutas de luxo estão mais desprotegidas do que as que trabalham na rua e que têm a protecção física do proxeneta, que defende a sua "mercadoria". Pelo contrário, as prostitutas pagas por homens estão entregues aos caprichos de clientes.

DN
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