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 Reescrevendo a história Miguel Sousa Tavares

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Vitor mango

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Mensagens : 4711
Data de inscrição : 13/09/2007

MensagemAssunto: Reescrevendo a história Miguel Sousa Tavares   Seg Abr 07, 2008 2:13 am

Faz
hoje oito dias, José Pacheco Pereira escreveu no 'Público' o primeiro
de dois anunciados artigos onde procede à sua defesa, do director do
'Público' e de outros mais que caíram na esparrela montada pela
Administração Bush no Iraque, cinco anos atrás. Por causa da amizade e
admiração que sempre tive pelo José Pacheco Pereira, não vou deixar em
claro aquilo que chega a ser uma indecente alteração das coisas e um
notável exercício de transferência de responsabilidades autorais.
Servido pelo seu habitual brilhantismo, o veredicto que ele extrai é
capaz de impressionar esquecidas gentes: eles, os defensores da invasão
do Iraque pelos "marines", são perseguidos, por "delito de opinião",
por uma "pequena turba, alimentada pelo silêncio de muitos" que exige
contra aqueles "punição, censura, opróbio, confissão pública de crime".
E é a essa maioria silenciosa que Pacheco Pereira apela para que
percebam que os que não viram na invasão do Iraque um momento
empolgante da luta pela liberdade é porque foram movidos "pelo
antiamericanismo militante, por razões puramente ideológicas e, acima
de tudo, por uma ignorância militante" que os leva a achar que "os
factos contam pouco" e são facilmente substituídos por "meias verdades
e muitas falsidades". Comecemos então pelos factos e pelas verdades
indesmentíveis e passemos depois à ignorância.
Os factos são que, a seguir ao Vietname, o Iraque é já a segunda
guerra mais longa de todo o longo cadastro de guerras travadas pelos
Estados Unidos no estrangeiro, e não se vê o fim para ela - pela razão
simples e elementar de que não se sabe e nunca se soube qual era o fim
pretendido para a guerra, fora os pretextos inventados e fabricados
para a desencadear. Facto é que morreram já quatro mil americanos e
200.000 civis no Iraque. Facto é que a economia do Iraque está
arruinada e que o país produz hoje 20% da sua capacidade extractiva de
petróleo, o que contribuiu para que o preço do barril de crude passasse
em cinco anos de 35 para mais de cem dólares. Facto é que, apesar do
derrube da ditadura de Saddam e da realização de eleições vagamente
democráticas (as primeiras e provavelmente últimas por muitos e bons
anos), o Iraque não consegue estabelecer um poder civil credível e
capaz e é virtualmente ingovernável - no dia em que os americanos se
retirarem, o Irão abocanhará a parte xiita, a Turquia a parte curda e o
resto do país será resolvido pelas armas entre as três etnias
principais. Nem Pacheco Pereira é capaz de dizer o que podem os Estados
Unidos fazer agora no Iraque.



Ora, isto aconteceu justamente devido à ignorância e à ganância. A
ganância dos que forneceram e armaram os destruidores do Iraque e dos
que vieram atrás para a "reconstrução" - empresas como a General
Dynamics, a Grumman, a McDonnell/Douglas, a Halliburton, etc., cujos
lucros dispararam entre 50 a 200% desde que a guerra começou. E a total
ignorância de um "comander-in-chief" (George W. Bush), célebre, entre
outras coisas, por julgar que o Kosovo ficava na Ásia e que o Brasil
não tinha negros. Não deixa de ser surpreendente que alguém tão
preocupado com a manipulação das informações e da opinião pública, como
Pacheco Pereira, não tenha tido a serenidade de espírito suficiente
para perceber a operação de manipulação montada por Bush - e que não
era assim tão difícil de perceber. Basta conhecer um pouco da forma
como funciona o marketing político americano e de como se forma uma
opinião pública movida por raciocínios maniqueístas primários, para
entender qual a íntima razão que levou Bush para o Iraque: porque ele
queria absolutamente comprar uma guerra, uma guerra que lhe desse a
ele, falhado em tudo - na carreira académica, militar e nos negócios -
a vaidade de poder proclamar "sou um Presidente em guerra". E, nessas
coisas, os americanos obedecem cegamente a uma regra de patriotismo
idiota: "pelo meu país, com razão ou sem ela". Basta que um Presidente
se anuncie em guerra para que todos cerrem fileiras atrás, mesmo que o
seu gesto mais corajoso seja o de aparecer de surpresa às tropas em
guerra no "Thank's giving", carregando ao alto um peru de doze
quilos... que depois se descobre ser de plástico.



Claro que pessoas que embarcaram nisto, como Pacheco Pereira, podem
sempre usar o eterno argumento do "não sabíamos". Não sabiam que para
justificar a "casus belli", Bush e Blair chegaram ao despudor de
fabricar supostas provas de que Saddam apoiava a Al-Qaeda e escondia um
poderoso arsenal de armas de destruição maciça... Bem, alguns não
saberiam, outros talvez: Durão Barroso jurou ter visto "provas" das
armas de Saddam, mas a prova de que não viu provas é que as armas não
existiam - logo, ou se deixou enganar como um papalvo ou mentiu quando
disse isso. Mas Pacheco Pereira deixou-se enganar porquê? Porque quis.
Talvez por americanismo primário militante.



Quando Colin Powell mostrou na reunião decisiva do Conselho de
Segurança fotografias e documentos que atestariam a construção de
depósitos de armas nucleares e químicas no Iraque e a presença de
elementos da Al-Qaeda, Dominique de Villepin, então ministro dos
Estrangeiros da França, respondeu-lhe tranquilamente que essas "provas"
eram velhas e tinham já sido cabalmente denunciadas como "falsificação
grosseira". E Powell calou-se, incomodado (mais tarde veio dizer que
também ele fora enganado pela Casa Branca e pelo Pentágono). E quando
El Baradei, presidente da Agência Internacional de Energia Nuclear, e
Hans Blix, encarregado da ONU para o desarmamento do Iraque, vieram
dizer que não tinham encontrado nada e precisavam de mais umas semanas
para confirmar se existiam ou não armas e, mesmo assim, Bush forçou a
invasão sem esperar, sem mandato da ONU e sem apoio dos Aliados, à
excepção de Blair, Barroso, Berlusconi e Aznar, Pacheco Pereira também
não desconfiou de nada? A guerra era assim tão urgente que não podia
esperar duas ou três semanas?



Tudo isto tem a importância que tem e que se lhe quiser atribuir. Eu
não atribuo uma importância por aí além ao facto de ter feito parte da
"pequena turba" que a tempo previu o desastre que se preparava no
Iraque. Mas, já que José Pacheco Pereira parece viver tão incomodado
com o seu erro de análise ao ponto de pretender reescrever a história,
então convém lembrar que o mundo é hoje infinitamente pior do que era
antes da invasão do Iraque e por causa dela; que o terrorismo islâmico
é hoje uma causa alimentada pela invasão do Iraque e com muitos mais
militantes; que a razão profunda para tal - a questão palestiniana -
está agora muito mais longe de uma solução do que então; que morreram
200.000 iraquianos e quatro mil soldados americanos convocados pelo seu
Presidente para combater uma ameaça que ele sabia não existir; e que
tão cedo nenhuma opinião pública estará disposta a ver morrer soldados
para enfrentar uma outra ameaça, essa sim real.



Deus me livre de querer a 'punição' ou a 'censura' de Pacheco
Pereira. Mas, já que fala nisso, também não acho que aqueles que,
fazendo opinião, ajudam a formar as dos outros, possam passar por cima
de tudo o que escrevem com a insustentável leveza de apostar sempre na
falta de memória alheia. E, se bem me lembro, já são várias as vezes
que José Pacheco Pereira embarca nos grandes embustes planetários: o
"bug" do milénio, o terrorismo do antrax, as armas do Saddam e a
"pandemia" da gripe das aves. Caramba, Zé! Que o mundo vai acabar, vai.
Mas a seu tempo.
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MensagemAssunto: Re: Reescrevendo a história Miguel Sousa Tavares   Seg Abr 07, 2008 8:04 am

TAO PREVISIVEL!!!! MAIS UM EXPERT!!!!!!!! pENA NAO ESTAREM NO poder??????????
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