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 A febre do emagrecimento

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Vitor mango

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Mensagens : 4711
Data de inscrição : 13/09/2007

MensagemAssunto: A febre do emagrecimento   Seg Abr 07, 2008 1:31 pm

A febre do emagrecimento


Domingos de Andrade

Depuralina? Albertino Gonçalves, investigador da Universidade do Minho especializado em estilos de vida, deixa escorregar a mão pelo copo de cerveja. Nunca tinha ouvido falar. Nem de nenhuma outra marca da parafernália de produtos ou suplementos naturais existentes no mercado que, entre tantos outros propalados benefícios, ajudam a emagrecer.

Nunca fez dieta. "Mas sou obeso, sabe? Fui ao cardiologista, ele pegou numa fita, mediu-me e disse 'O senhor é obeso! Já tem dois factores de risco. Fuma e é obeso'". E obeso é uma palavra horrível. "Pior que gordo". O sociólogo quase ri para a loura espumosa. Está calor em Braga. Os dias convidam a aliviar a roupa.

Há milhares de portugueses em busca do milagre do corpo perfeito, a atestar pelas 850 mil unidades comercializadas de produtos para perder peso. Só de Depuralina, a marca suspensa por suspeita de relação entre o seu consumo e o aparecimento de efeitos tóxicos graves, foram vendidas 165 mil unidades em três meses.

Albertino Gonçalves fala em "pressão orquestral" da sociedade. "Mal nos levantamos, somos bombardeados com a importância de se ser magro, seja pela publicidade, pelos amigos, pela namorada. O discurso do emagrecimento é uma massagem não consciente e constante".

Ginásios em alta

A corrida aos ginásios é fruto dessa necessidade. Tiago Rodrigues, da Associação de Empresas de Ginásios e Academias de Portugal, mostra números que impressionam. Há oito anos, havia o registo de 600 empresas, que deu um salto para o milhar em 2005 e para 1300 no ano passado. O negócio envolve mais de 500 mil participantes e factura 310 milhões por ano.

Mesmo assim, segundo números de 2004 fornecidos pela associação, 73% dos portugueses não praticavam então exercício físico regularmente. É mais fácil tomar um produto "natural". A endocrinologista Isabel do Carmo põe aspas no "natural". E fica incomodada de cada vez que um doente lhe apresenta uma embalagem qualquer. "Sou completamente contra estes produtos. Estamos perante um lóbi poderoso, apoiado na noção de que isto é natural. Não é nada natural. São substâncias, obtidas a partir de extractos de plantas, ou substâncias químicas, e, num caso ou no outro, podem ser prejudiciais".

Para a especialista, estes produtos "são erradamente classificados como suplementos alimentares, quando na realidade não são alimentares, nem suplementos". Porém, o Ministério da Agricultura, que tutela o sector, diz que não está prevista qualquer alteração legislativa. E Francisco George, director-geral da Saúde, prefere não entrar por esses caminhos, relevando o papel do organismo na identificação de casos suspeitos.

Isabel do Carmo, pelo contrário, entende que deveria ser o Infarmed (responsável pelo controlo dos medicamentos) a garantir a qualidade dos produtos. "Têm beneficiado da classificação natural para serem vendidos de uma forma indiscriminada, apoiando-se numa onda de moda que já não é só das revistas, é também intelectual".

Sociedade higienista

No fundo, como refere o sociólogo Albertino Gonçalves, a estética é hoje um recurso social, valorizado cada vez mais por uma classe média/alta "higienista". "Ser bonito, ou não, rende socialmente. Nas carreiras profissionais, certas coordenadas físicas estão associadas a determinados valores. Ninguém ajuda uma mulher feia e gorda a mudar um pneu". E 34,4% das portuguesas têm excesso de peso, de acordo com um estudo coordenado por Isabel do Carmo, que soma um total de 53% de portugueses com quilos a mais.

Silvana Mota-Ribeiro irrita-se com os estereótipos criados à volta das mulheres. A investigadora da Universidade do Minho na área do género andou um mês a analisar a publicidade nas revistas femininas. E ficou boquiaberta. Das 104 imagens, só duas apresentavam um corpo menos magro. Curiosamente, anunciavam marcas de roupa para mulheres volumosas. "Quando aparece esse corpo, ele nem sequer é assumido como uma coisa bonita", diz.

Num anúncio as coxas estão tapadas com uma manta e no outro um enorme casaco protege os ombros. "Elas nem sequer são verdadeiramente volumosas, o que altera a noção do que é socialmente aceitável". Mas, acrescenta, é simplista dizer que a pressão se deve só aos media. "Tudo à nossa volta transmite a ideia de que é possível transformar o corpo a um nível extremo, como se fosse o caminho único da felicidade".

De pouco adiantará, também, olhar para Espanha, cujo Governo assinou, no ano passado, um protocolo com os fabricantes de roupa para "homogeneizar" os tamanhos - deixar, por exemplo, de considerar o 46 "especial" e obrigar a que todas as peças tenham o 38.

Isabel Branco não percebe tanto histerismo. Para a produtora de moda, as coisas são muito simples "Magreza é sinónimo de saudável". Mas não confundir com as manequins. "Têm que ser assim. É a profissão delas."
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Vitor mango

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MensagemAssunto: anorexia   Dom Abr 20, 2008 1:35 pm

o Governo francês acaba de adoptar multas ou sanções para quem divulgue imagens de " anorexia "
Portanto nada de magricelas por aqui
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