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 A PRINCESA das arvores

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AutorMensagem
Vitor mango

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Mensagens : 4711
Data de inscrição : 13/09/2007

MensagemAssunto: A PRINCESA das arvores   Sex Abr 11, 2008 2:53 pm

A PRINCESA das arvores

Os americanos chamam-lhe a princesa das árvores e os
botânicos "Paulownia tomentosa."
Vi pela primeira vez ,esta espécie na China em 1988 e
o que mais me despertou a sua atenção foi o tamanho
das folhas que quando novas chegam a atingir 50
centímetros .
Na altura perguntei para que queriam os chineses estas
árvore de crescimento tão rápido. Com um sorriso
irónico , os técnicos chineses informaram que era para
fazer caixões que exportavam para o Japão, porque a
China queima os mortos , e portanto , a cultura da
Paulonia era para enterrar Japoneses.
Começando pelo principio , nada melhor que sabermos
alguma coisa sobre esta arvore.
Ela é originária da China e o nome de Paulonia ou
Paulownia foi posto em homenagem a Anna Paulonia uma
princesa Russa que casou na Holanda como rei William
II (reinou de 1840 a 1849)- Grande duquesa Anna
Pavlovna da Russia ( 1795-1865)
Esta árvore entrou na Europa em 1830 trazida da Índia
pelos Holandeses e depois tardiamente nos EUA
possivelmente em 1840 recentemente na Austrália nos
anos 80. Na china ela ocupa 3 milhões de hectares ao
longo das estradas dividindo propriedades.
A arvore era já utilizada 300 anos antes da era Cristã
como arvore medicinal e de sombra No Japão é também
uma arvore importante é sempre plantada quando nasce
uma filha que lhe assegura , mais tarde , um dote
para o casamento; aliás o mesmo se passa com um Choupo
e aqui já me sinto mais á vontade para informar que
uma família , na China adora ter duas coisas. Um
filho varão e uma arvore que para um ocidental não
deixa de ser estranho dada a abundância de arvores
pelos nossos lados
Sucede que vi aldeões, muitas vezes , a mostrarem-me
primeiro a SUA árvore e só depois o seu filho – e isto
em aldeias comunitárias .

Vamos de novo á Paulonia e gostaria de não lhe chamar
princesa mas "árvore dos Mortos". A Paulonia que tenho
na quinta foi-me oferecida por uma engenheira
silvicultora que se suicidou e a sua plantação foi
feita aqui por uma chinesa casada com um português que
morreu de cancro portanto as recordações não são
famosas acrescido ao destino que os chineses dão á
madeira.
Outra curiosidade é que a arvore floresce no Outono as
folhas caiem todas no Inverno mas as flores fechadas e
em cacho piramidal de 30 a 40 centímetros com os “
bagos “ do tamanho de amêndoas , só se vão abrir na
entrada da primavera e aí sim , abrem uma brilhante
cor de violeta
As sementes aparecem depois e são levadas pelo vento
aos milhões ,razões porque consideramos esta arvore
uma invasora. Uma só árvore pode produzir 20 milhões
de sementes
A sua cultura é fácil , desde que a agua não lhe
falte. Não atinge grande altura (12 ) – metros mas
adquire um bom diâmetro de tronco, a tal ponto que na
Itália há em Alexandria ( Itália ) uma arvore destas
já classificada como monumento nacional com um
diâmetro de tronco com 330 cm. Resiste bem a
temperaturas baixas -10 graus ou acima dos 40 graus
positivos. Pode chegar aos 70 anos de idade
Esta árvore é conhecida no Japão por Kiri e é
utilizada para diferentes fins desde construção de
instrumentos musicais , iscos para a pesca e outros
onde se exija um madeira leve e fácil de trabalhar já
que o peso específico é baixo

Não lhe são conhecidas doenças mas no Brasil
(introduzida em 1953) onde tomou o nome de Quiri a
informação que tenho é que é sensível a problemas com
podridão a radicular e a sua cultura , por essa razão,
não teve grande desenvolvimento
A Embrapa (Brasil) aponta um híbrido de PAULONIA Vindo
da Formosa , indicando algumas das características da
madeira. Não empena, resiste ao fogo, não apodrece e
repele a água e é utilizada para fabrico de
instrumentos musicais. A parte negativa é a rápida
deteorização e a mudança de coloração
Na Inglaterra e nos países Nórdicos esta espécie não
aguenta as geadas que lhe destroem as flores e acabam
por morrer.
Em Portugal mas não deixa de ser curioso verificar a
nossa legislação:
O Ministério Ambiente classifica a Paulonia na lista
de plantas invasoras , logo condicionada ou proibida a
sua plantação (decreto lei nº 565/99 e em contraste a
secretaria da AGRICULTURA E PESCAS PORTARIA 74/2001
coloca a Paulonia na lista das plantas elegíveis e
portanto a fomentar, o que não deixa de ser bizarro a
dualidade de critério antagónico .

Infelizmente no Arborium de Leiria na Net (com elevado
nível técnico e muito interesante ) não tem
fotografias da árvore Paulonia o que é pena dado o seu
manifesto valor
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