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 Crise em Timor-Leste: Possível envolvimento indonésio

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mike

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Mensagens : 283
Data de inscrição : 16/03/2008

MensagemAssunto: Crise em Timor-Leste: Possível envolvimento indonésio   Sab Abr 12, 2008 1:47 am

Crise em Timor-Leste

Entrevista a Ramos-Horta sobre o envolvimento da Indonésia

"Os indícios são muitos fortes"

O presidente da República timorense aponta o dedo a militares indonésios da ala dura e acusa-os de terem apoiado o grupo do rebelde Alfredo Reinado que atacou Ramos-Horta a 11 de Fevereiro, quase lhe custando a vida.

Tem conhecimento de alguma ligação entre grupos a actuar em Timor-Leste e grupos a actuar na Indonésia?

Temos conhecimento - quer a presidência da República quer os nossos serviços de informação - de que o senhor Alfredo Reinado, assim como o grupo do senhor Gastão Salsinha, tentava aliciar apoios na Indonésia, junto de certos elementos militares da Indonésia, assim como do sector privado indonésio, que tem fortes ligações com os militares.

Sabe se algum desse apoio foi dado ou fornecido?

Acreditamos que todo o equipamento que o senhor Alfredo Reinado tinha na sua posse - fardamento, telefones, outros meios de comunicação - vinha da Indonésia.

Acredita que isso possa incluir uma ligação a militares ou empresários indonésios?

Militares e empresários indonésios. Militares na sua qualidade individual e não a instituição TNI - e muito menos o Estado indonésio.

Mas de que militares é que está a falar?

Militares que tiveram ligações com Timor-Leste mas na sua capacidade individual e não enquanto instituição das forças armadas.

Sabe algum nome desses militares?

Ainda não. As investigações estão a decorrer. Os indícios são muito fortes e enquanto as investigações decorrem esperamos colaboração das autoridades indonésias. O Estado timorense tem óptimas relações com o Estado indonésio, ao mais alto nível, e sei que haverá total colaboração por parte das autoridades indonésias para investigar e punir as pessoas privadas ou militares ou ex-militares que tenham estado envolvidos no apoio ao senhor Reinado.

E o que sabe das ligações de Alfredo Reinado com Hércules, uma figura conhecida em Jacarta?

Tiveram ligações. Se o senhor Hércules o apoiou financeiramente ou não, não sei, mas o senhor Hércules é conhecido como sendo hoje um homem abastado, com muito dinheiro na Indonésia. Começou a sua carreira como líder de gangues e afirmou-se muito nos bas-fond de Jacarta e tem fortes ligações com militares.

O senhor presidente não recebeu o senhor Hércules em Janeiro, numa visita oficial a Timor?

Não, não o recebi. Soube de uma possível visita dele mas não o recebi. Estive com ele apenas uma única vez, na visita oficial que eu fiz a Jacarta. Ele estava entre 100 convidados timorenses, num encontro comigo. Ele lá compareceu. E identificaram-no como senhor Hércules. Foi apenas um aperto de mão. Nem sequer conversei com ele.

Estes factos de que estamos a falar - das ligações do grupo de Reinado a militares indonésios -podem afectar as relações diplomáticas com o actual governo indonésio?
De forma alguma. Eu tenho uma relação pessoal muito forte com o presidente Susilo Bambang Yudhovono. As relações são de total confiança e qualquer envolvimento de um cidadão indonésio não tem o aval do estado indonésio.

Tenho a certeza que as autoridades máximas indonésias não estavam a par e se houver mesmo provas conclusivas de que estiveram envolvidos (militares) eu sei que o Estado indonésio vai tomar medidas. Porque a Indonésia não é um país do tipo da Birmânia, que se permite a fazer coisas dessas - conluio para destronizar outro país. É membro do conselho de segurança, é um país com muito orgulho de si próprio.

E no passado, mesmo durante a nossa luta pela independência, a Indonésia nunca optou por tácticas como países como o Iraque, o Irão, a Síria fizeram - de assassinarem dissidentes fora do próprio país. Embora liquidasse internamente os seus opositores, nunca uma única vez o regime de Suharto se envolveu em actividades que visassem liquidar oponentes fora do país.

Portanto, eles tinham muita preocupação em não fazer acções que possam ser consideradas acções terroristas. Mais ainda com o actual regime democrático. Mas a Indonésia é um país com 240 milhões de habitantes. Há pessoas indonésias com ligações a Timor-Leste que vêm do passado da ocupação e alguns deles podem ter estado envolvidos no apoio ao senhor Alfredo Reinado.

Exclusivo Expresso
Sábado, 12 de Abr de 2008
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MensagemAssunto: Re: Crise em Timor-Leste: Possível envolvimento indonésio   Sab Abr 12, 2008 3:33 am

Ramos é um senhor. Até ganhou o Nobel da Paz a meias com outro grande senhor. Pois a ala dura dos Indónésios. Antes tinha sido a ala dura de Timor.
Ele deve pertencer à ala mole australiana.
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MensagemAssunto: Re: Crise em Timor-Leste: Possível envolvimento indonésio   Sab Abr 12, 2008 5:09 am

Indonésios implicados em Timor

Presidente Ramos-Horta confirma envolvimento da ala dura de Jacarta com os rebeldes que quase o mataram a 11 de Fevereiro

O Presidente timorense Ramos-Horta admitiu ao Expresso que houve apoios de militares e empresários indonésios ao grupo de rebeldes do major Alfredo Reinado, que levou a cabo um duplo atentado contra o chefe de Estado e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, a 11 de Fevereiro.

De acordo com Ramos-Horta, trata-se de “militares que tiveram ligações com Timor mas que agiram individualmente, e não enquanto instituição das forças armadas. Os indícios são muito fortes. O Estado timorense tem óptimas relações com o Estado indonésio, ao mais alto nível, e sei que haverá total colaboração por parte das autoridades indonésias para investigar e punir as pessoas privadas ou militares que tenham estado envolvidos no apoio a Reinado”.

Um dos homens de mão dos generais indonésios do regime de Suharto - o timorense Hércules Rosário Marçal - poderá estar implicado no atentado, segundo o Expresso apurou. Juntamente com outros factos, entretanto investigados, é possível estabelecer uma ligação entre a ala mais dura do regime de Jacarta e Reinado.

Em entrevista ao Expresso, Hércules, conhecido em Jacarta como o ‘rei dos gangsters’, negou qualquer contacto pessoal ou telefónico com o major rebelde, mas os registos das chamadas feitas por Reinado para o seu telemóvel pessoal provam o contrário. O major recebeu o número de Hércules através de um SMS enviado pelo tenente Gastão Salsinha (sucessor de Reinado) a 7 de Janeiro e manteve uma conversa com o ‘rei dos gangsters’ a 19 de Janeiro, dois dias antes de Hércules fazer uma visita a Díli, acompanhado por empresários indonésios, para reuniões oficiais com as mais altas figuras do Estado. Segundo o próprio Hércules, os encontros decorreram com o primeiro-ministro Xanana Gusmão, o procurador-geral da República e o presidente do Parlamento.

Reinado e Hércules voltariam a falar por duas vezes no dia 2 de Fevereiro, uma semana antes dos atentados. E, pela análise dos registos telefónicos, há uma relação directa entre as chamadas do major para Hércules nesse dia e as chamadas para um número indonésio misterioso - feitas logo antes e logo após as conversas com o ‘rei dos gangsters’. Actualmente inactivo, foi para esse número que Reinado ligou às 21h44 do dia 10 de Fevereiro, naquele que foi o seu último telefonema na véspera dos atentados - e na sequência dos quais morreria.

Durante a adolescência, Hércules e Reinado tinham sido tarefeiros do Exército indonésio. Hércules tornou-se famoso em Jacarta, nos anos 90, pela forma como o seu gangue prosperou e pelo modo como se estabeleceu a soldo dos generais da ala dura de Suharto, sendo encarregue de intimidar dissidentes do regime e activistas timorenses.

Segundo o jornal australiano ‘The Age’, o criminoso timorense chegou a viver em casa do general Zacky Anwar Makarim, que viria a ser indiciado em 2003 pela ONU, por ser alegadamente um dos orquestradores da campanha de terror lançada pela Indonésia em Timor durante 1999 e de que resultaram 1500 mortos. Outro dos generais associados a Hércules é Prabowo Subianto, genro de Suharto.

Mas o elo do grupo de Reinado à Indonésia não se esgota em Hércules. Incluiu apoio material e militar de origens diversas, de acordo com mensagens SMS, a que o Expresso teve acesso, trocadas entre o major e números de telefone indonésios. Uma das mensagens escrita em bahasa, recebida no mesmo dia em que lhe foi enviado o número de Hércules, revelava o seguinte: “O nosso irmão já está em Atambua e seguirá para Kupang. Se quiseres de verdade alugar o carro é favor cuidar dos documentos”. O próprio autor do SMS, António Lopes, de Atambua (em Timor Ocidental), negando ao Expresso que o tenha escrito, acrescentou que sempre ia ajudando, sobretudo com garrafas de uísque, “de que Alfredo gostava muito”.

Já as fardas novas com que Reinado vestiu dezenas de homens numa parada militar, em Novembro de 2007, em Ermera, bem como os coletes à prova de bala e os aparelhos de rádio, que equipavam o grupo de rebeldes, vieram todos de Jacarta, diz Leandro Isaac, ex-deputado, que esteve refugiado nas montanhas com o major, em 2007.

Uma fonte oficial do Governo timorense, que não quer ser citada por questões diplomáticas, diz que “há uma série de figuras vingativas da Kopassus (as forças especiais indonésias) que estão interessadas em instigar a instabilidade em Timor e houve, pelo menos, conluio das autoridades fronteiriças e policiais indonésias até agora”, aludindo à forma como Reinado conseguiu ir facilmente até Jacarta em 2007, dois meses depois de um confronto armado com as forças australianas e de o Governo de Díli ter pedido ao Governo vizinho para fechar totalmente as fronteiras. “Mas não só o deixaram passar como lhe arranjaram documentação com uma identidade falsa”, diz a mesma fonte. O major Reinado passeou-se livremente pela capital indonésia e apareceu a 21 de Maio no estúdio da estação de televisão Metro de farda e com um guarda-costas armado. Ironicamente, para um programa que viria a ter outro convidado: Hércules.
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Vitor mango

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MensagemAssunto: Mango almoça com o patyrão dos impostos   Sab Abr 12, 2008 7:19 am

enganei-me porra
nao era aqui
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trocatretas

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MensagemAssunto: Re: Crise em Timor-Leste: Possível envolvimento indonésio   Sab Abr 12, 2008 8:19 am

Eram só indícios...


Mas lança-se a boca. Sempre serve para armar confusão.
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MensagemAssunto: Re: Crise em Timor-Leste: Possível envolvimento indonésio   Qua Abr 16, 2008 5:47 am

Líder rebelde tinha um milhão de dólares no banco

A Polícia Federal Australiana encontrou uma conta conjunta na Austrália em nome do líder rebelde timorense Alfredo Reinado e de Angelita Pires, sua assessora e amante. A conta chegou a acumular um depósito de um milhão de dólares, soube o Expresso junto de uma fonte oficial do Estado timorense, naquele que é um dos achados mais promissores da investigação ao grupo rebelde que quase matou José Ramos-Horta num duplo atentado a 11 de Fevereiro contra o presidente Timorense e também contra o primeiro-ministro Xanana Gusmão, que acabaria por sair ileso.

Quando foi detectada pelos investigadores australianos, a conta apresentava um montante de 800 mil dólares - sendo que tinham sido levantados 200 mil dólares, ainda quando o major Reinado estava vivo. A informação foi prestada pela Polícia Federal Australiana ao Estado timorense e está a ser encarada como uma evidência de que Reinado recebeu dinheiro de fora de Timor para apoio das suas actividades enquanto líder de um grupo de mais de 20 rebeldes. Segundo a mesma fonte, que pediu a reserva da sua identidade, "nenhum timorense tem capacidade de dar quantias dessas a ninguém".

De acordo com uma fonte ligada ao aparelho judicial em Timor, Angelita Pires, uma timorense também com nacionalidade australiana, tinha na sua conta pessoal em Díli apenas 5000 dólares, sendo que todos os depósitos e levantamentos foram feitos em dinheiro. Junto do corpo de Reinado, morto a tiro pela segurança pessoal do presidente Ramos-Horta, foram só encontrados 200 dólares.

Onde estão os relatórios do FBI e da Austrália?

Apesar da quantidade de pistas que podem ser seguidas neste momento para desvendar os atentados contra as duas figuras mais importantes do país, as dúvidas sobre o bom termo da investigação judicial são, no entanto, cada vez maiores em Timor.

O relatório feito pelos dois agentes do FBI que foram enviados a Díli pelos Estados Unidos logo em Fevereiro ainda não foi acrescentado ao processo judicial, embora tenha sido concluído há já várias semanas. O mesmo se passa com a investigação feita pela polícia federal australiana (AFP), que decidiu enviar no próprio dia dos atentados um reforço de 70 agentes para desmontar a história dos incidentes, mas cujos resultados continuam estranhamente sem constar do processo.

Quer o FBI quer a polícia federal australiana estiveram a trabalhar para o procurador-geral da República, Longuinhos Monteiro, cujo perfil e cuja actuação têm sido seriamente postos em causa por diversas vezes desde que a crise político-militar em Timor entrou em erupção, em Março de 2006. Longuinhos Monteiro foi responsável há um mês pelas negociações com o sucessor de Reinado à frente dos rebeldes, o tenente Gastão Salsinha, para que se entregasse e pelos anúncios sucessivos de que estava tudo resolvido, depois de no ano passado ter sido ele a passar salvo-condutos (ilegais) a alguns homens do grupo.

Entretanto, a agência Lusa avançou no último fim-de-semana que dez rebeldes do grupo agora conduzido por Salsinha terão fugido para a Indonésia. A Lusa citava fontes das forças de segurança timorenses e referia que as F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste) e a PNTL (Polícia Nacional de Timor-Leste) estão preocupadas com a possibilidade de haver uma aproximação do grupo de Salsinha a Hércules Rosário Marçal e Eurico Guterres, dois timorenses na Indonésia que aterrorizaram os seus conterrâneos nos anos 90 a soldo de generais da ala dura de Jacarta. Eurico Guterres era o chefe da milícia pró-indonésia Aitarak, responsável por boa parte dos 1500 mortos nos massacres de 1999. A notícia surgiu na sequência da revelação feita pelo Expresso de que Reinado foi apoiado a partir de Jacarta e pelas milícias em Timor Ocidental, tendo estabelecido uma ligação directa a Hércules.

Em entrevista ao Expresso, o presidente Ramos-Horta admitiria que tem conhecimento do envolvimento de "militares indonésios que tiveram ligações com Timor mas que agiram individualmente, e não enquanto instituição das forças armadas. Os indícios são muito fortes".
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