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 A economia dos EUA está doente

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MensagemAssunto: A economia dos EUA está doente   Qua Abr 16, 2008 3:54 am

A economia dos EUA está doente

Quando a maior economia mundial está doente – e está gravemente doente – o mundo inteiro sofre.

Joseph E. Stiglitz

Há quem diga que os dois temas que vão marcar as próximas eleições presidenciais nos EUA são a economia e a guerra no Iraque. Numa altura em que a guerra parece estar a correr melhor que o esperado e em que a economia atravessa maus momentos, constatamos que a segunda ofusca a primeira. Mas a verdade é que nenhuma está de “boa saúde”. Ora, estas duas questões resumem-se a uma só, a guerra, que exacerbou os problemas económicos dos EUA. E quando a maior economia mundial está doente – e está gravemente doente –, o mundo inteiro sofre.

Em tempos defendia-se que as guerras eram boas para a economia. Há quem defenda, aliás, que a II Guerra Mundial ajudou a economia mundial a sair da Grande Depressão. Entretanto, e desde Keynes, aprendemos a estimular a economia de uma forma mais eficaz e a criar mecanismos para aumentar a produtividade a longo prazo, bem como para melhorar os padrões de vida.

Esta guerra, em particular, não tem sido nada boa para a economia. Primeiro porque contribuiu para o aumento dos preços do petróleo. No início da guerra, o barril de petróleo custava 25 dólares e os mercados de futuros esperavam que se mantivesse neste patamar durante pelo menos uma década. Os ‘traders’ de futuros sabiam do crescimento da China e de outros países emergentes, mas esperavam que a oferta – assegurada, maioritariamente, pelos países do Médio Oriente – aumentasse ao mesmo ritmo que a procura.

Ora bem, a guerra alterou esta equação. O facto de os preços do petróleo estarem mais altos significa que os norte-americanos (japoneses e europeus) passaram a pagar centenas de milhões de dólares aos ditadores dos países produtores de petróleo do Médio Oriente, e a exportadores de petróleo de outras regiões do mundo, e que não o estão a investir internamente.

Segundo porque o dinheiro gasto na guerra do Iraque não serve de estímulo à economia como serviria o investimento em escolas, hospitais e estradas, nem contribui para o crescimento no longo prazo. Com tantos dólares a sair do país seria de esperar que a economia norte-americana estivesse pior do que está. E embora a administração Bush tenha tentado tudo para esconder os verdadeiros custos da guerra, omitindo ou deturpando a contabilidade, a verdade é que as falhas na economia acabaram por ser colmatadas graças à injecção de liquidez da Fed no sistema e a uma regulação financeira menos apertada.

Resumindo, adiaram-se as fragilidades económicas para data incerta, sendo que a data ideal para a administração Bush seria depois de Novembro de 2008. Mas o seu desejo não se realizou, uma vez que as coisas começaram a descambar em Agosto de 2007. A administração reagiu aprovando um pacote de estímulo à economia. O problema é que não basta, vem tarde e foi mal pensado. Este jogo, que assenta na convicção profunda de uma espiral crescente dos preços imobiliários, acabou.

Numa altura em que os preços imobiliários estão em queda (tendência que se deverá manter nos próximos tempos) e em que os bancos não estão seguros da sua posição financeira, as instituições que emprestam vão deixar de o fazer e as famílias vão deixar de pedir emprestado. A injecção de liquidez da Fed no sistema financeiro conseguiu evitar uma crise, mas não conseguiu estimular o consumo nem o investimento, grande parte do qual acabará por sair do país.

Existe ainda uma terceira razão para esta guerra ser economicamente nefasta para os EUA. Além de esta custar 12 mil milhões de dólares por mês, há ainda que contabilizar a fatia que ainda não foi paga, onde se incluem as indemnizações e as pensões de invalidez para os muitos veteranos que regressam ao país com graves deficiências.

Adoptou-se, pela primeira vez na história dos EUA – e talvez na história recente de qualquer outro país –, uma lógica de financiamento totalmente diferente da utilizada noutras guerras. Normalmente, os países invocam a partilha de sacrifícios quando apelam aos jovens – homens e mulheres – para arriscar a sua vida. Aumentam os impostos e discutem que parte da “factura” deve ser deixada para as futuras gerações.

Nesta guerra não se discutiu o que quer que fosse. Quando a guerra no Iraque começou os EUA tinham um défice. No entanto, Bush pediu – e obteve – uma imprudente redução fiscal para os escalões mais elevados, ou seja, para os mais ricos. Isto quer dizer que cada dólar gasto na guerra foi, no fundo, emprestado.

Os EUA tiveram, pela primeira vez desde a Guerra da Independência, há cerca de 200 anos, de pedir apoio financeiro ao estrangeiro porque os níveis de poupança das famílias norte-americanas são próximos de zero. A dívida pública aumentou 50% em oito anos, sendo que 1 bilião se deve ao esforço de guerra – valor que deverá mais do que duplicar na próxima década.

Ninguém acreditaria que uma administração pudesse causar tantos danos em tão pouco tempo. Os EUA e o mundo vão ter de pagar a factura durante muitos e longos anos.

Tradução de Ana Pina

Exclusivo DE/Project Syndicate
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