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 Caso Dissidente Russo Alexander Litvinenko (ex KGB)

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MensagemAssunto: Caso Dissidente Russo Alexander Litvinenko (ex KGB)   Qui Out 25, 2007 1:19 pm

Viúva de Litvinenko apela à pressão da UE

Marina Litvinenko, viúva do dissidente russo Alexander Litvinenko, morto em Novembro de 2006, pediu, em Lisboa, aos líderes europeus que apliquem sanções para «forçar» a Rússia a extraditar o presumível assassino do marido.

O apelo foi feito hoje durante a apresentação da edição portuguesa do livro que assina em co-autoria com Alex Goldarf e no qual o Presidente russo, Vladimir Putin - que inicia hoje uma visita oficial a Portugal - é também responsabilizado pelo crime.

O pedido de extradição do Reino Unido à Rússia do presumível assassino de Litvinenko, Andrei Lugovoi, é uma consequência de uma investigação criminal da polícia britânica, concluída em Janeiro deste ano, declarou Marina Litvinenko.

Lugovoi não foi acusado por «razões políticas», sublinhou, adiantando que o «caso do assassínio do marido tem de ser visto no âmbito de uma política de Estado».

O regime de Putin não só recusou a extradição de Lugovoi como o está a cobrir pois permitiu que actualmente seja candidato ao parlamento russo, acrescentou.

O Reino Unido necessita de apoios mais concretos e não só de palavras de apoio, para que Moscovo extradite Lugovoi, referiu.

Além da extradição de Lugovoi, Alex Goldarf, que também participou na apresentação do livro em Lisboa, já traduzido em 16 línguas em 25 países, defendeu que a utilização de polónio-210 devia ser proibida por convenções internacionais.

Intitulado «Morte de um Dissidente: o envenenamento de Alexander Litvinenko e o regresso do KGB», o livro defende a teoria que o ex-espião russo foi assassinado pelo FSB (agência que substituiu os antigos serviços secretos russos, KGB) com o consentimento de Putin.

Os autores estão convencidos que o autor material do crime foi Andrei Lugovoi, outro ex-elemento do KGB (tal como Litvinenko), e principal suspeito da polícia britânica que investigou o caso, sendo objecto de um pedido de extradição.

Lugovoi foi um dos homens que se encontrou com Litvinenko no hotel londrino onde a vítima bebeu o chá envenenado com polónio, uma substância rara radioactiva e mortal, como se confirmou mais tarde.

Os investigadores encontraram também um rasto de radioactividade nos locais por onde Lugovoi passou durante a visita à capital britânica, pelo que as autoridades britânicas emitiram um pedido de extradição para julgar no Reino Unido.

Todavia, a Justiça russa rejeitou o pedido, alegando que a Constituição impede que cidadãos russos sejam extraditados para serem julgados no estrangeiro, desencadeando um braço-de-ferro diplomático entre os dois governos.

Tanto Lugovoi, que continua em liberdade em Moscovo e é actualmente candidato a um lugar no parlamento russo por um partido de extrema-direira, como Putin, negaram qualquer intervenção no homicídio.

O livro, inicialmente editado em Nova Iorque, é o principal instrumento da campanha que a viúva encetou para levar os responsáveis pela morte de Litvinenko a tribunal.

Segundo o semanário britânico The Observer, os direitos de «Morte de um Dissidente» foram comprados pela norte-americana Columbia Pictures para produzir um filme por 1,5 milhões de dólares (um milhão de euros).

O lançamento da edição portuguesa hoje pela Porto Editora num hotel em Lisboa, coincide com o início da visita oficial de Putin a Portugal, onde vai participar na sexta-feira na cimeira UE/Rússia, que terá lugar no Palácio Nacional de Mafra.


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MensagemAssunto: Re: Caso Dissidente Russo Alexander Litvinenko (ex KGB)   Sab Out 27, 2007 4:25 am

"A atmosfera é estalinista"



O realizador russo Andrei Nekrasov mostra hoje no DocLisboa o seu documentário 'Rebellion: The Litvinenko Case' (Culturgest, Grande Auditório, 14.30), um libelo em toda a linha contra a Rússia "oligárquica" de Putin, a partir do assassínio em Londres do ex-agente do KGB.


"A atmosfera é estalinista"

O seu filme intitula-se 'O Caso Litvinenko', mas Alexander Litvineko serve-lhe de trampolim para denunciar a grave situação que se vive na Rússia, e acusar Putin de a ter causado. Era esta a forma original do documentário?

Não, era algo diferente. No início da "era Putin", comecei a interessar-me mais por política - a minha formação é artística. Algo começou a acontecer nessa altura, no início deste século. Eu estava a planear fazer um documentário sobre não-conformistas, pessoas que não eram complacentes com o que estava a acontecer e não tinham medo de dizer "não". E o Litvinenko era uma delas, bem como a Politkovskaya, e até eu mesmo. Mas falei com ele - adorava falar horas a fio -, e deixei-me influenciar, porque era um homem de "dentro" do sistema e disse-me coisas de arrepiar, chocantes. Ele fez-me perceber que as coisas não tinham começado a ficar más com Putin, mostrou-me o lado escuro da Lua. E sob a sua influência, rodei Disbelief, em 2004, um documentário sobre o atentado de 1999 em Moscovo, que deu origem à guerra na Chechénia. Quando o Litvinenko se exilou em Londres estava muito activo, a escrever para sites na Internet, e essa deve ter sido uma das razões porque foi morto. E quando ele foi envenenado, tornou-se "no" herói da oposição. Como tinha muito material filmado com ele, decidi fazer este documentário.

Ou seja, apesar de ter sido agente do KGB e do FSB [sucessor deste] , Litvinenko tornou-se num dos seus não-conformistas.

Sim. É que era fácil para mim ser não-conformista, nunca tinha pertencido ao sistema, tinha lido O Arquipélago de Gulag aos 15 anos. O Litvinenko nunca leu o Gulag, só começou a perceber o que tinha acontecido na época de Estaline quando foi para Inglaterra. Mas ele já era moralmente muito maduro nessa altura, e essa maturidade não vinha dos livros ou da experiência. Vinha de uma espécie de imperativo moral interior que ele tinha.

O que aconteceu na Rússia entre a queda do comunismo e a época de esperança na democracia, e o advento de Putin? Há um momento de viragem decisivo?

O Litvinenko e eu concordávamos que esse ponto de mudança foi o começo da primeira guerra na Chechénia. E um pouco antes, o bombardeamento do Parlamento, que foi ilegal. Eu nessa altura era pró-Ieltsin, porque havia o medo do regresso do comunismo, e o Parlamento era vagamente pró-comunista. No entanto, foi um acto antidemocrático, as pessoas tinham sido eleitas. Mas foi essa guerra brutal e injustificada que marcou o fim da democracia russa. Mesmo assim, a liberdade de expressão que existia nos anos 90 acabou com a guerra. Deu-nos esperança e fez muita gente apoiar Ieltsin e dar-lhe outra oportunidade. Mas já então Litvinenko sabia quão criminoso e corrupto o sistema era, como a guerra se travava pelos recursos, por dinheiro, pelas terras. Muito do que é mau sob Putin foi preparado fria e cinicamente nessa altura por muita gente na Rússia, incluindo os chamados "reformistas".

A certa altura do filme, Litvinenko diz que na ex-URSS havia duas ideologias, a do comunismo e a criminosa. E que agora só existia a criminosa. É assim?

Exactamente. E nós deixámo-la instalar-se.

Teve problemas na Rússia durante a rodagem do documentário?

Bem, fui seguido, mas isso já tinha acontecido quando fiz o Disbelief, até me roubaram uma cassete com uma entrevista a um dos agentes do FSB dissidentes. Sabe, na Rússia costumamos dizemos que é melhor que o FSB tenha um caso legal contra nós, porque não nos matam, têm que ir aos tribunais. Mas se não têm nada e nos odeiam, aí é que nos matam mesmo.

O FSB faz parte desse sistema repressivo, ou é só um instrumento dele?

Não. Faz parte integrante dele, manda. É em simultâneo um instrumento e o poder que o usa. E não tem nada acima dele. A única rivalidade existente é dentro dos clãs do FSB, como sucede na Mafia. E há ainda os oligarcas, que são ou ex-comunistas, ou tecnocratas. Estas duas facções guerreiam-se, mas a facção FSB /militares ganhou. Isto é muito esquemático, claro. Por exemplo, Berezovski e Abramovich, ambos judeus, apoiaram Putin, mas agora o primeiro é contra ele e vive refugiado em Inglaterra; e o segundo, além de dono do Chelsea, é o governador de Chukotka. É, tecnicamente, elite oligárquica russa. E os tipos do FSB e alguns militares são também oligarcas.

Como é que definiria então o actual regime russo?

Tecnicamente, é uma oligarquia, mas camuflada. Putin é visto pelo povo como um anti-oligarca, mas há muito mais oligarcas agora, e muito mais ricos, do que dantes. E a camuflagem é este discurso: viva a Rússia; a desigualdade e a falta de liberdades são muito menos importantes do que a tarefa de reconstruir o império; estamos cercados de inimigos; orgulho nacional; o Oeste é nosso inimigo, tal como todos estes jornalistas e outros que atacam Putin. Como Litvinenko. Mentalmente, e ironicamente, a atmosfera é estalinista. Mais do que noutros tempos.

Putin mandou matar Litvineko?

Há muitos pontos de interrogação, há várias teorias. Mas é importante chegar ao fundo das coisas. Pode ter sido uma ordem directa, uma acção emotiva, irracional, ou um equívoco: alguém que tomou um desabafo violento por uma ordem. E foi uma operação muito sofisticada, high tech. Isto ainda não acabou e quero que esta história seja conhecida.

Este documentário pode visto na Rússia?

Teoricamente, sim. Os meus amigos da oposição - Kasparov, etc - estariam dispostos a isso. Mas comercialmente, nos cinemas, não. Muito menos na televisão, que é muito mais importante do que o cinema.


DN (27-10-2007)
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MensagemAssunto: Re: Caso Dissidente Russo Alexander Litvinenko (ex KGB)   Sab Nov 24, 2007 4:18 am

Queixa contra Governo russo


A viúva de Alexander Litvinenko apresentou uma queixa ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos contra o Governo russo por cumplicidade e conivência na morte do dissidente há um ano em Londres.

A queixa foi entregue quinta-feira, último dia do prazo possível para o fazer, disse ontem, numa conferência de Imprensa em Londres, a advogada Louise Christian, que admitiu que este deverá ser um "processo muito longo".

O recurso à instância de Estrasburgo (França) decorre da convicção de que "os esforços diplomáticos para levar os homicidas a tribunal em Inglaterra não parecem ter probabilidades de resultar".

A queixa agora feita alega a infracção dos artigos dois e três da Convenção Europeia, que defendem o direito à vida e reprovam o tratamento degradante e desumano, do qual entendem que Litvinenko foi vítima pela forma como foi assassinado. Litvinenko, de 43 anos, morreu a 23 de Novembro de 2006 após falha sucessiva dos órgãos, apesar de ter estado três semanas hospitalizado, durante as quais o seu estado piorou rapidamente sem que os médicos o conseguissem impedir.

A causa, envenenamento com polónio 210, uma substância radioactiva rara e mortal, só foi confirmada um dia depois.

"Pensamos ter provas de que houve cumplicidade ou conivência (das autoridades russas) no homicídio", afirmou Christian, que citou partes de um relatório produzido por um "perito independente, um respeitado professor de física nuclear numa universidade britânica". Neste documento, o perito, cuja identidade não foi revelada, considera que é "altamente provável" que o polónio 210 usado para envenenar Litvinenko tenha origem na central nuclear de Avangard, na Rússia.

Se os juízes aceitarem a culpa do Kremlin, a pior sanção possível é a expulsão do Conselho da Europa, embora nenhum dos 47 países-membros alguma vez o tenha sido em 58 anos de existência.

JN (24-11-2007)
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MensagemAssunto: Re: Caso Dissidente Russo Alexander Litvinenko (ex KGB)   Sab Nov 24, 2007 1:40 pm

Nao falem mal do PUTIN, que ainda aparecem mortos!! lol!
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MensagemAssunto: Re: Caso Dissidente Russo Alexander Litvinenko (ex KGB)   

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