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 O Avião de Lisboa afinal ainda podia voar

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Vitor mango

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MensagemAssunto: O Avião de Lisboa afinal ainda podia voar   Qua Abr 30, 2008 2:51 pm

O Avião de Lisboa afinal ainda podia voar
30.04.2008 - 17h21 Alice Barcellos
Já quase toda gente sabe que o avião que foi desmantelado esta semana em Lisboa funcionava como um bar de striptease, cujo proprietário foi morto no ano passado. Mas sabia que só existem mais oito aviões do modelo Convair 880 em todo o mundo? E sabia que este modelo foi concebido por Howard Hughes, retratado no filme de Scorsese "O Aviador"? E que Elvis Presley comprou um, que ainda repousa em Graceland?

Muitas histórias se escondem por detrás daquele que era visto por muitos como um avião qualquer, encostado junto à Segunda Circular. De acordo com o engenheiro aeroespacial do Instituto Superior Técnico de Lisboa (IST), Mário Lino Silva, o avião veio aterrar na cidade por acaso. “O avião fazia tráfico de armas e teve uma avaria técnica”, tendo por isso parado no aeroporto da Portela. Os pilotos esperaram uma semana mas não receberam a peça que precisavam e foram embora, abandonando o avião.

Mas a saga deste modelo começou em 1959, quando a Convair começou a produzir o CV-880 para competir com a Boeing e a Douglas. Foi Howard Hughes, que voltou a ser lembrado em 2004 no filme “O Aviador” de Martin Scorsese, que sugeriu à Convair a construção de um jacto comercial.

O objectivo era ser mais pequeno e mais rápido. Mas o projecto foi considerado um fracasso. Enquanto os Boeings voavam a 800 quilómetros por hora, os Convair 880 atingiam os 970 quilómetros. A velocidade era uma “mais valia” do avião que, em contrapartida, gastava muito mais combustível. Este foi um dos factores que fez parar a produção do 880 em 1962.

Até 1975, o 880 trabalhou para algumas companhias aéreas, como a Delta, a Alaska e a Swissair. Mais tarde, o modelo começou a ser usado como avião de carga ou em operações militares dos Estados Unidos da América (EUA). “Como é comum acontecer quando os aviões ficam velhinhos”, explicou Mário Lino Silva.

“Muito raro e precioso”
Com a morte do 880 de Lisboa só restam oito modelos do avião espalhados pelo mundo. O que está em melhor estado de conservação pertenceu a Elvis Presley, que o usou como jacto particular, baptizando-o com o nome de sua filha “Lisa Marie”. Esta relíquia da aviação está agora estacionada em Graceland, a mansão de Elvis no Tennessee. Os restantes estão nos EUA, Haiti, Venezuela e África do Sul.

Mário Lino Silva lamenta o facto de “só pessoas especializadas saberem que estava ali uma peça muito rara e preciosa”. “A TAP podia ter guardado o avião para depois o trocar com outros museus aeronáuticos”. “Não havia necessidade de haver tanta pressa em desmantelar o avião”, disse o engenheiro aeroespacial. A aeronave foi desmantelada por uma empresa de gestão de resíduos, contratada pela filha do proprietário do antigo bar, em cumprimento de uma determinação da Câmara Municipal de Lisboa.

De acordo com o especialista, o avião ainda estava em boas condições. “Segundo informações que tenho, o cockpit estava conservado e os motores estavam em bom estado”, explicou. Por fora, o 880 também tinha bom aspecto, já que foi sendo pintado ao longo dos anos em que funcionou como bar. Sujeito a uma restauração, o Convair 880 de Lisboa ainda podia levantar voo, referiu o especialista.

Na altura do desmantelamento, a TAP mostrou interesse em ficar com o nariz e o cockpit do avião. Mas estas partes significativas da aeronave foram também destruídas. “Estamos em conversações com os proprietários para ficarmos com o trem de aterragem da frente e os motores”, contou ao PÚBLICO, o porta-voz da TAP, António Monteiro.

“Havia prazos muito curtos a cumprir”, referiu, o que levou à destruição das partes que a empresa pretendia ficar. Para o responsável, o 880 “é uma parte significativa da história da aviação” mas “não tem interesse para a TAP”.

Nenhuma companhia portuguesa teve o 880
O conservador do Museu do Ar em Alverca, Mário Correia, disse ao PÚBLICO que o Convair 880 já não tinha tanto interesse do ponto de vista museológico. “Nenhuma companhia aérea portuguesa teve este avião”, apontou. Além disso, o Museu do Ar não foi informado sobre o desmantelamento da aeronave.

Quando interrogado sobre as curiosidades que o 880 guarda, Mário Correia mostrou-se surpreso. “Eu sei pouco sobre a história deste modelo”. “Para nós não constitui nenhuma memória da aviação”, afirmou. “Talvez tenha havido falta de sensibilidade por parte da família do proprietário”. Contrariando o engenheiro aeroespacial do IST, o conservador do Museu do Ar pensa que “o avião estava descaracterizado”.

O certo é que a família dos Convair 880 fica a partir de agora mais reduzida. O seu “irmão” português foi desfeito em pedaços e como lembrança vão ficar apenas algumas peças recuperadas por alguns e as memórias de outros das noites vividas no bar, que afinal funcionava numa raridade da aviação. “Eu ainda recuperei algumas peças”, disse engenheiro aeroespacial do IST, que esteve presente, “de coração partido”, durante o desmantelamento do avião na segunda-feira.
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