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 O mundo das after hours privadas com droga ao domicílio

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MensagemAssunto: O mundo das after hours privadas com droga ao domicílio   Dom Maio 04, 2008 5:38 am

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Lisboa, 04 Mai (Lusa) - O traficante entra na casa alugada, no centro de Lisboa, e deixa mil euros em cocaína. A encomenda havia sido feita por telefone. Naquela tarde de sábado, quase todos consomem. Estão acordados há mais de 24 horas e pretendem continuar em festa nas after hours privadas da capital.

Quando todas as discotecas encerram começam as after hours privadas que podem durar todo o fim-de-semana. Nas festas mais sofisticadas há DJ`s profissionais e o fenómeno parece estar a virar moda entre jovens adultos, com profissões liberais e uma instrução acima da média.

"À saída da discoteca há sempre pessoas mais bem-dispostas que querem continuar e por isso acabam por convidar os amigos que por sua vez também convidam os seus amigos e os amigos dos amigos", explica Filipe (nome fictício), 32 anos, recém-formado na área do cinema, que a Lusa acompanhou numa saída nocturna de grupo.

Para estes boémios, as after hours privadas são simplesmente uma continuação da noite, "a grande diferença é que acontecem em casa de alguém". Há quem desista a meio da tarde, alguns só regressam a casa à noite e há ainda quem passe todo o fim-de-semana neste ritmo, de discoteca em discoteca, de casa em casa.

O padrão que define as festas privadas é realizarem-se pelo dia adentro e exigirem a presença de dois ingredientes obrigatórios: música e droga. De resto, algumas decorrem em apartamentos degradados de porta aberta e outras em vivendas luxuosas; algumas são meros locais de consumo de droga, pouco seleccionados, outras reúnem todas as condições para prolongar a diversão.

"As festas em casa de DJ´s acabam por ser como se estivesses numa discoteca. Porque eles têm o material todo para pôr música e às vezes até está mais de um DJ presente", revela Catarina (nome fictício), que trabalha numa das maiores produtoras nacionais de eventos musicais.

As festas que frequenta são normalmente em apartamentos arrendados, "porque as pessoas que têm casa própria não têm grande vontade de fazer este tipo de coisas". O ambiente pode ser "bizarro", mesmo para quem está sob o efeito de estimulantes.

"Estive numa casa de estudantes estrangeiros onde só havia uma divisão mobilada. Todas as outras pareciam ter instalações de arte, com tintas no chão e coisas do género. A casa estava tão suja que acabámos por ficar o tempo todo na marquise e na cozinha. O mais engraçado é que ninguém sabia quem eram os donos da casa", conta.

Filipe, por sua vez, tem uma experiência diferente: conhece as festas à beira da piscina, onde "as pessoas aproveitam para apanhar banhos de sol, porque já é de dia". Aqui - relata - o ecstasy circula num espírito comunitário: "Enquanto houver o pessoal vai consumindo".

Já nas festas de cocaína de Catarina, quem não participa financeiramente não entra. E existem algumas regras implícitas: "Leva-se sempre uma garrafa por cortesia e ninguém sai para comprar coca. Há sempre alguém que telefona e a droga é entregue ao domicílio".

Catarina lembra que nem toda a gente tem dinheiro para manter este estilo de vida ao fim-de-semana e que, por isso, há pessoas nessas festas que vendem para poder consumir.

Em todo o caso, a população de "borguistas" é flutuante e variada, "de todas as idades, estratos sociais e económicos". E é mesmo normal a presença de caras "famosas do mundo da música ou da representação".

É exactamente esta miscelânea de personalidades que atrai Catarina: "É uma forma de conheceres pessoas que de outra forma nunca conhecerias" .

Na chamada "noite" vê-se todo o tipo de gente e há mesmo encontros imprevistos. Isabel (nome fictício), 28 anos, guionista de telenovelas famosas, recorda que ainda recentemente encontrou uma colega de trabalho, "que é mãe e tem 40 e tal anos" na casa-de-banho de uma festa after hours.

A guionista sublinha no entanto que este ambiente pode tornar-se decadente. "As pessoas estão acordadas há muitas horas e o nível de droga e álcool é muito elevado", justifica.

Catarina lembra a história de um "actor conhecido de novelas" que entrou numa after privada aos gritos: "DROOO-GA. Onde é que há DRO-GA?! QUERO DROGA". E que, de repente, caiu redondo no chão. "Apanhámos um susto. Tivemos que o levar para o hospital, mas ele acabou por ficar bem", recorda.

Para os frequentadores de after´s, o lado duro desta diversão são as suas consequências físicas, é "o dia seguinte", diz Catarina. Para a maioria, segunda-feira é dia de trabalho, é dia de voltar à rotina, depois de cometidos todos os excessos.

"Depois destas festas, em que chegas a casa já de noite, é normal passares o dia seguinte todo a dormir. Ou seja, se saíres na sexta, chegas a casa sábado à noite e depois dormes até segunda-feira. A sensação é que não tiveste fim-de-semana".

Luís Anselmo, do Instituto da Droga e Toxicodependência alerta para o facto de "a banalização do consumo levar a uma baixa percepção do risco".

"Nas saídas à noite há um claro aumento de consumo e existe a sensação de que podem controlar a situação e que só consomem de vez em quando, mas a verdade é que o número de consumidores de coca a recorrerem aos centros de apoio está a aumentar", alertou.

Num dia em que a Lusa acompanhou o grupo de amigos de Catarina, a noite começou em casa de um deles, onde se beberam os primeiros copos e fumaram alguns charros. Pelas 2:00, os mais enérgicos apanharam um táxi e foram comprar cocaína a uma traficante que vive perto do Bairro Alto.

Ao longo da noite, o consumo da droga fez-se sem qualquer pudor: na rua, debaixo de um candeeiro público, dentro de um carro, à porta de um dos bares na moda de Lisboa e na casa-de-banho de uma discoteca.

Snifar cocaína, para este grupo, não tem a conotação decadente associada por exemplo ao consumo de heroína. Uma relação curiosa, já que segundo o especialista do IDT, Rui Pedro, estas duas substâncias estão muito ligadas em termos de consumo: "Nos últimos tempos, assistiu-se a um boom da cocaína em detrimento da heroína".

A descida do preço da cocaína nos últimos anos - um grama custa cerca de 50 euros - e a facilidade em adquiri-la podem também ter contribuído para este "boom" da "branquinha".

A droga parece ser a única forma de adiar o fim da diversão. Mas só após as oito da manhã se separa claramente quem recorre a estimulantes e quem não o faz.

Segundo Catarina, a maioria dos frequentadores de after hours privadas está sob o efeito de drogas, "sem as quais é impossível aguentar tantas horas acordadas".

Actualmente, em Lisboa, consegue-se dançar até às duas da tarde em três espaços, espécie de antecâmaras das after hours privadas, onde poucos são os que não consumiram ou cocaína ou pastilhas.

A morte recente de um jovem, baleado à porta de uma destas discotecas, na Avenida 24 de Julho, veio situar este mundo num ambiente de violência e de delinquência, mas esse retrato está longe de ser completo.

"Existe um preconceito em torno das after hours, mas a verdade é que não passa de uma continuação da noite. Não há nada que se faça a partir das seis da manhã que não se tenha começado a fazer muitas horas antes", desvaloriza Catarina.

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