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 A 3ª TRAVESSIA SOBRE O RIO TEJO E AS IMPLICAÇÕES MILITARES

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MensagemAssunto: A 3ª TRAVESSIA SOBRE O RIO TEJO E AS IMPLICAÇÕES MILITARES   Dom Maio 04, 2008 6:41 am

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Excluir o corredor do Montijo por razões de Defesa Nacional é um argumento pouco aceitável, pois aquele local já foi escolhido para a implantação de um novo aeroporto, sem a oposição dos militares.
Rui Rodrigues - Site:
www.maquinistas.org

No relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), onde foram comparadas as duas opções para a construção da nova travessia sobre o Tejo, os principais argumentos invocados contra o corredor do Montijo, foram, segundo a opinião do Ministério da Defesa, razões de defesa nacional. Um dos principais objectivos da construção da terceira travessia sobre o Rio Tejo (TTT) é possibilitar a ligação da via de cintura ao Pinhal Novo. Existem dois corredores que permitem atingir este objectivo: pelo Barreiro ou através do Montijo. Do ofício remetido ao LNEC pelo Gabinete do Ministério da Defesa Nacional, extrai-se o seguinte sobre a alternativa Beato-Montijo. Na página 243 desse relatório podemos ler o seguinte texto: “…considera-se que a sua concretização teria um impacto negativo nas redes de serviços instaladas, por eliminação ou interrupção das mesmas, nomeadamente rede eléctrica, combustíveis, águas e comunicações, bem como em infra-estruturas operacionais e de apoio, além de obrigar à relocalização dos meios aéreos ali sediados durante um período significativo devido à impossibilidade de coexistência das operações aéreas com os trabalhos decorrentes das eventuais fases de construção”. E que: “Não obstante o anteriormente exposto, as vias rodoviárias e ferroviárias projectadas para o interior da Base Aérea n.º 6, tornariam esta infra-estrutura militar extremamente vulnerável a qualquer ameaça, em virtude da livre circulação de veículos nas rodovias e nas ferrovias a construir, independentemente de serem estrada, viaduto ou em túnel, pelo que, sendo este um problema intransponível ao nível da segurança militar, não é compatível com os interesses da Defesa Nacional”. Assim, diz o relatório: “Nesta conformidade o Estado-Maior da Força Aérea manifesta a expectativa de serem encontradas soluções para a TTT que salvaguardem a operacionalidade da Base Aérea n.º 6, dentro dos parâmetros de segurança militar estabelecidos, e, nomeadamente, no que se refere às superfícies de desobstrução de obstáculos, a área e servidão militar e aeronáutica e, ainda, às servidões radioeléctricas.”

A opção do Montijo e a transferência dos militares

O argumento anteriormente referido é surpreendente porque, no passado, nunca foi invocado este problema, tanto mais que, em 1994, o Montijo foi escolhido como o local mais adequado para um novo aeroporto. Se este critério era tão importante, então, nem teria sido necessário o LNEC efectuar a comparação, uma vez que a base militar do Montijo já existe há várias décadas.

Em 1994, foi efectuado um estudo, quando o Ministro das Obras Públicas era Ferreira de Amaral, pela Direcção de Estudos Aeroportuários da empresa ANA-Aeroportos tendo sido escolhida a opção Montijo. Naquela altura, também se decidiu a localização da nova travessia rodoviária do Tejo, que coincidiu com a preferência por Montijo tendo sido construída a Ponte Vasco da Gama. Para que não exista qualquer dúvida sobre este assunto, nada melhor que consultar o estudo da ANA-Aeroportos de 1994 no site http://www.adfer.pt/pages/NAL.zip que, surpreendentemente, a NAER, empresa que está a estudar o novo aeroporto, não o publicou.

Numa entrevista do Jornal Expresso, de dia 24 Abril 99, ao ex-ministro das Obras Públicas Ferreira do Amaral, foi dito que a Base Militar era perfeitamente adaptável ao tráfego civil e que tais projectos eram do conhecimento da Força Aérea. Em 1999, a NAER decidiu escolher a Ota como melhor localização. A decisão foi confirmada nesse mesmo ano em Conselho de Ministros, sendo Ministro das Obras Públicas João Cravinho. No ano de 2005, o Ministro Mário Lino voltou a confirmar a escolha da Ota, tendo sido anunciado que os militares, que estão naquela Base, seriam transferidos para outro local, devido à construção da nova infra-estrutura.

Por fim, no dia 10 de Janeiro de 2008, a localização do novo aeroporto na Ota foi abandonada pelo Governo Português, tendo sido escolhida a de Alcochete. Desta vez, os militares que estão no actual Campo de Tiro de Alcochete, serão transferidos para outro local, o que terá um custo superior a 180 milhões de Euros.

Outro facto interessante é o que está a ocorrer no aeroporto de Beja, que deverá estar pronto no último trimestre do ano de 2008, com um custo de 33 milhões de Euros, e a escassos meses da sua abertura não se conhecem contratos com nenhuma empresa de aviação que o pretendam utilizar, mediante o pagamento de taxas aeroportuárias. Provavelmente, na sua inauguração, os únicos aviões que ali deverão operar serão militares porque, no dia 19 de Fevereiro de 2008, a agência Lusa noticiou que a Esquadra 601 "Lobos" de patrulhamento marítimo, guerra anti-superfície e anti-submarina, anteriormente sediada na Base Aérea do Montijo, irá para a Base Aérea de Beja. Foi também noticiado que será o próprio aeroporto que terá que oferecer contrapartidas financeiras à Força Aérea, para se efectuar esta transferência.

Se, por razões de defesa nacional, a 3ª travessia do Tejo não pudesse passar pelo Montijo, então, pelo anteriormente descrito, os militares poderiam ser transferidos para Beja, Ota ou outro local a definir, utilizando os mesmos critérios para os retirar de Alcochete ou da Ota.

Nas guerras mais recentes, os objectivos militares ou estratégicos são atacados por mísseis a longa distância ou através de aviões e nunca por sabotagem.

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