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 DARFUR

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ypsi



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MensagemAssunto: DARFUR   Sab Out 27, 2007 4:33 am

Salvamento de crianças do Darfur leva à prisão nove franceses



A tentativa de levar para França 103 órfãos do Darfur terminou ontem com a detenção de nove franceses, incluindo três jornalistas, ligados a uma pequena organização não governamental, a ONG Arche de Zoe (Arca de Zoe). São todos acusados de rapto e tráfico de crianças.

As famílias de adopção estavam à espera em Reims mas anteontem à noite o avião fretado pelos franceses não chegou a levantar voo de Abeche, do lado chadiano da fronteira entre Chade e Sudão (Darfur). As crianças têm entre 4 e 9 anos e eram as primeiras de mil que a organização humanitária queria salvar.

O Presidente do Chade, Idriss Deby Itno (um aliado da França), visitou ontem as crianças, em Abeche, e disse que este é um caso de "rapto puro e simples". A ONG diz por seu turno que estava a proceder a uma "evacuação" de crianças do Darfur e que, sem este salvamento, os jovens estão destinados a "morte certa". Mas onde os franceses falam em órfãos, os chadianos afirmam que as crianças não só não eram órfãs, mas também não vinham do Darfur.

A Arca terá ignorado as leis de imigração e de adopção locais. Nos países islâmicos, incluindo no Chade, a adopção de crianças é proibida pela religião e pela lei.

À volta de Abeche há 200 mil refugiados do Darfur. A violência tornou a zona perigosa. Mas as organizações internacionais não apreciam o voluntarismo desta ONG. O presidente da UNICEF, Jacques Hintzy, afirmou à France 2 que as crianças "não parecem ser órfãs" e muitas são chadianas. A AFP confirmou que membros da Arca foram transportados pelo exército francês.

DN (27-10-2007)
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MensagemAssunto: Re: DARFUR   Sab Abr 19, 2008 4:42 am

“O Governo francês sabia de tudo”

Alain Péligat. Um dos funcionários da Arca de Zoé nega as acusações de pedofilia e acusa:




Duas das crianças resgatadas pela Arca de Zoé, fotografadas em Abéché, ChadeFOTO THOMAS COEX/AFP

Alain Péligat tem 56 anos e acaba de passar cinco meses na prisão, dois deles no Chade, onde foi condenado a oito anos de prisão. Naquele país africano foi acusado de “rapto de menores” antes de ser agraciado, no último dia de Março, pelo Presidente Idriss Déby. Este chegara a acusá-lo - a ele e aos seus cinco companheiros da associação Arca de Zoé - de “tráfico de órgãos e de escravos para alimentar a pedofilia dos brancos!”.

Péligat refuta todas as acusações. Nervoso, abana a cabeça e repete incessantemente as mesmas palavras durante toda a entrevista ao Expresso - “mentiras”, “boa-fé” e “generosidade”. Deixa transparecer também uma forte obstinação por “salvar crianças em risco de morte”. Alain Péligat é um homem com as ideias algo desordenadas. Talvez seja um idealista. Mas também pode ser um fundamentalista da ajuda humanitária ou um arrojado flibusteiro.

Com os cabelos louros compridos, a barba e o bigode fartos, faz lembrar Astérix, em modelo gigante. Professor, motard, antigo camionista e ex-«globe trotter», parece sincero quando fala sobre uma operação que, tudo leva a crer, foi um formidável embuste. “Queríamos salvar crianças da fome, da guerra e da miséria! Há algum mal nisso?”, pergunta, emocionado. O descrédito que o atinge depois da sua prisão, no leste do Chade, no fim de Outubro de 2007, parece atingi-lo profundamente, porque ele diz amar sobretudo uma coisa - as crianças. Pai adoptivo de três raparigas cambojanas e biológico de outras duas, transmite uma sensibilidade exacerbada perante situações de aflição envolvendo crianças. “Eu também era candidato a adoptar uma das crianças do Darfur que íamos salvar!”, diz.

Péligat sublinha que a operação teve o apoio das autoridades francesas, incluindo na conturbada zona da fronteira do Chade com o Sudão, onde diz que os membros da Arca de Zoé chegaram a ser transportados, com material da associação, num avião Transal da força aérea francesa.



Péligat, acompanhado por uma das três
filhas adoptivas,aguarda julgamento.
Em entrevista ao Expresso


A ministra à espera no aeroporto

Acredita ainda nas acusações de Eric Breteau, presidente da organização humanitária francesa, quando este diz que os ministérios franceses dos Negócios Estrangeiros e da Justiça lhes tinham dado luz-verde e que estava previsto que a ministra da Justiça, Rachida Dati, bem como a então primeira-dama francesa, Cécilia Ciganer, estivessem no aeroporto, em França, para receberem os 103 alegados “órfãos do Darfur”. “Sempre tivemos o apoio da França, um prefeito (governador civil) e uma juíza de menores estiveram constantemente connosco e a nossa equipa era composta por bombeiros e médicos!”. Contactados pelo Expresso, os gabinetes de Rachida Dati e Bernard Kouchner, chefe da Diplomacia francesa, desmentiram as acusações. Desde que saiu da prisão francesa, há pouco mais de quinze dias, aguarda em liberdade o desfecho de um processo judicial no seu país. Os tribunais franceses acusam-no, entre outras coisas, de “ajuda à entrada ilegal de estrangeiros em França”.

Contente por ter conseguido sair do Chade - “claro que prefiro ser julgado em França, porque aqui há uma Justiça!”, exclama -, conta com a imprensa para transmitir a sua “boa-fé”. “Se alguém mentiu, não fui eu!”, afirma quando confrontado com alguns pontos obscuros da operação do trabalho da Arca de Zoé no Chade (ler sinopse da história, à esq.). “Nenhum de nós falava as línguas locais, precisávamos de tradutores, as pessoas eram sérias e garanto que as crianças nos foram apresentadas na zona fronteiriça como sendo órfãos do Darfur. Foi tudo visto ao pormenor!”.

Alain Péligat era o responsável pela logística na primeira acção montada pela associação Arca de Zoé no Chade, baptizada com o nome de «Children Rescue», uma filial criada para realizar várias missões na zona, destinadas a “salvar mil órfãos do Darfur”.

Apesar das provas em contrário, designadamente apresentadas pela UNICEF, Péligat fala em conspirações montadas pelo Chade para obrigar a França a fazer determinadas opções políticas na região. “Tudo se saberá em devido tempo!”, promete. Chega a pedir que sejam efectuados testes de ADN às famílias das crianças: “Se fizerem os testes vai ficar provado que elas são de facto órfãs e do Darfur!”. “Esses ‘parentes’ que apareceram à ultima hora foram certamente pagos pelo Chade para dizerem isso!”, acrescenta.

Péligat confirma no entanto que algumas das 103 crianças que iam embarcar no avião com destino a França não estavam doentes e não necessitavam, por isso, dos curativos, pensos e mercurocromo, tal como foram encontradas quando as forças chadianas deram voz de prisão aos membros da Arca. “Não sei quem pôs esses pensos”, salienta.

Confirma igualmente que várias dezenas de famílias francesas entregaram à Arca de Zoé 2400 euros antes do lançamento da operação. “Mas esse dinheiro era para financiar o que íamos fazer!”. Reconhece contudo que essas famílias iriam receber uma criança - “mas não como filhos adoptivos, apenas como família de acolhimento”. “Se tudo tivesse corrido bem, hoje éramos uns heróis”, conclui.

Daniel Ribeiro, correspondente em Paris

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MensagemAssunto: Re: DARFUR   Sab Abr 19, 2008 4:47 am

O rapto dos falsos órfãos do Darfur

A organização humanitária Arca de Zoé preparava o transporte de 103 crianças oriundas do Chade e do Sudão

A 25 de Outubro de 2007, seis membros franceses da associação humanitária Arca de Zoé, bem como dois intermediários, um chadiano e um sudanês, foram presos, em Abéché, no leste do Chade, quando efectuavam o embarque, num Boeing-757, de 103 crianças falsamente qualificadas como sendo “órfãs do Darfur”. O avião tinha como destino Paris, onde diversas famílias francesas, candidatas à adopção, aguardavam as crianças depois de terem pago elevadas quantias à associação francesa.

Condenados, a 26 de Dezembro do mesmo ano, por um tribunal de Njamena, a penas de oito anos de prisão, com a acusação de “tentativa de rapto de crianças”, os seis franceses seriam transferidos para uma prisão em França dois dias depois do julgamento.

Agraciados pelo Presidente chadiano, Idriss Déby, no passado dia 31 de Março, foram todos libertados nesse mesmo dia pelas autoridades francesas. A graça fora evocada já em Fevereiro pelo chefe do Estado chadiano, depois de ter sido salvo, com o apoio militar de França, de uma tentativa de golpe de Estado - e de um ataque militar rebelde - a 2 e 3 desse mês.

Os seis acusados franceses aguardam em liberdade o desfecho de um processo-crime, a correr num tribunal da região de Paris, por “burla, exercício ilegal de actividade de intermediário com vista à adopção de crianças e ajuda à estada irregular de estrangeiros em França”.

Entretanto, o escândalo conheceu novos desenvolvimentos em Março, quando ficou provado que quase todas as crianças não eram órfãs nem naturais do Darfur. A meados desse mês, 97 foram devolvidas às respectivas famílias, todas residentes no Chade. Apenas 5 são do Sudão, oriundas da aldeia de Adikon, a 5 km da fronteira com o Chade. Só uma é órfã e não conseguiu ser identificada, segundo a UNICEF.

A crise provocada pelo chamado “escândalo Arca de Zoé” foi gerida pessoalmente pelo Presidente Nicolas Sarkozy. Durante a operação, a organização tinha recebido o apoio, no Chade, de meios logísticos das forças militares francesas instaladas no país. De acordo com parentes das crianças, os membros da Arca do Zoé ludibriaram as famílias, dizendo que as crianças seriam transferidas para Abéché, onde seriam escolarizadas e acolhidas por organizações humanitárias. Antes do fiasco, a Arca do Zoé dizia pretender “salvar os órfãos do Darfur”.
D.R.


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