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 Mesmo que me dê decepções, o comunismo é uma convição

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ECOADOR

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MensagemAssunto: Mesmo que me dê decepções, o comunismo é uma convição   Dom Out 28, 2007 2:30 am

"Mesmo que me dê decepções o comunismo é uma convição"


João Marcelino
José Fragoso




Esfíngico, magro, sereno. José Saramago nunca sorri durante a entrevista, nem fora dela. Concentrado nas palavras, fala quase como escreve e a conversa vai escorrendo com o comunista que não abdica das suas convicções mesmo que, aqui e ali, como reconhece, alguns dos responsáveis pela sua utopia política teimem em dar-lhe motivos de desgosto.

Desgosto é também o que sente em relação ao País político que quis estigmatizar o 'Memorial do Convento' e o levou a mudar de "bairro", trocando Lisboa por Lanzarote. Assinala que "o senhor Cavaco Silva" nunca lhe pediu desculpa - e agora, quase a completar 85 anos, também já não quer que o faça
Vamos começar esta entrevista pelo rescaldo de uma outra, que concedeu no Verão ao Diário de Notícias, na qual previa que Portugal poderia integrar-se naturalmente na Espanha, dando origem à Ibéria. Sabe a polémica que isso causou, tanto em Portugal como em Espanha. Mantém hoje essa provocação?

Vamos lá ver... Em primeiro lugar, não se trata de andar a fazer provocações gratuitas só para vender papel ou só para que se fale no meu nome, para bem ou para mal e geralmente é para mal. Não tem que ver com isso. Simplesmente tem que ver com um sentido histórico, e que eu admito até que não seja totalmente correcto. E isto não é de agora, nem é por eu ter ido viver para Espanha, para as Canárias. O que eu tenho, e alimento desde há muito, é uma espécie de sentimento ibérico, que eu até expressava quando se falava na integração, essa sim, de Portugal na Comunidade Europeia, no Mercado Comum... Essa, sim, de integração se pode falar. Bom, em primeiro lugar sou português. Em segundo lugar sou ibérico. E em terceiro lugar, se me apetece, serei europeu. Isso é uma percepção que eu tenho, embora sejamos dois países independentes e separados e com graves problemas de convivência (agora menos). De todo o modo, o que não se pode negar é que estamos aqui. Eles e nós. E se é certo que não se faz integrações ou desintegrações tão-só porque de repente passou isso pela cabeça, há algo que eu peço a um político e aos cidadãos em geral: pensem nos destinos do seu país, no grau de dependência a que estamos a chegar, e cada vez mais. Eu simbolizo isso num episódio interessante, em que eu não sou parte activa mas em que posso citar o nome da pessoa que o foi... Quando se falava muita na entrada de Portugal na Europa e na perda de autonomia, João de Deus Pinheiro, naquela altura ministro dos Negócios Estrangeiros, e portanto muito dentro da negociação, numa entrevista que deu, quando lhe puseram a pergunta "não lhe parece que vamos ter uma perda de soberania?", respondeu e com ar risonho: "Ah, a soberania, a soberania... No século XIX, um Governo português não chegou a tomar posse porque o almirante da esquadra britânica fundeada no Tejo o impediu..." Realmente é assim, se nós contássemos a história que está por detrás da história e em que aparecem episódios quase grotescos como este...

Mas Portugal e Espanha têm uma história conhecida e sendo vizinhos têm uma história...

E Portugal e a Grã-Bretanha também têm uma história...

Sim, mas, como não fazem fronteira, têm um relacionamento diferente. Acha que não faz sentido nenhum a ideia que existe em Portugal de que uma junção com Espanha seria a total perda de autonomia do País?

A mim não me parece... E eu aconselharia a ter muito cuidado com o uso das palavras "perda de autonomia". Agora mesmo há este problema do BCP e do BPI. O "La Caixa", da Catalunha, propõe-se entrar neste negócio e pode ser que acabe por comprar o BCP. E se isso acontecer, a banca espanhola será proprietária de 60 por cento da banca portuguesa.

Portanto desse ponto vista económico, a sua Ibéria está a ser uma realidade?

Não é a minha Ibéria!

A ideia de os dois países caminharem juntos economicamente começa a ser uma realidade?

Evidentemente que a economia espanhola vai a léguas de distância da nossa. Mas a questão não é essa. Eu iria um pouco mais longe: a criação de um novo país. E isso não nos tirava nada daquilo que somos!

Mas é normal falar na Ibéria quando está aí a União Europeia a 27, e quando se fala da Europa das regiões?

Repare, a Europa a 27 é uma dor de cabeça tremenda. E vai sendo sucessivamente adiada a aspirina que há-de resolver aquilo. Quis a sorte, ou quiseram as circunstâncias, que o eleitorado polaco decidisse de repente desviar o rumo. Mas outras Polónias são possíveis na Europa. Além disso, a Europa não existe. Existem Europas sucessivas historicamente que vão mudando de cara, de dono, ou de força predominante. Essas são as Europas. Não aquilo a que possamos chamar fisicamente uma Europa.

Mas essa Europa de que está a falar é também ela uma utopia.

Não é uma utopia, é uma ideia generosa. Conseguir a paz dentro deste continente não era pequena coisa. E, pelo menos, isso conseguiu-se até agora. Não sabemos o que é que será o dia de amanhã com um Putin completamente lançado numa espécie de neoimperialismo. Porque como ele não pode expandir-se muito, tem de começar pela sua própria casa. Há uma fascinação imperial na Rússia que é histórica e não sabemos como é que se vai equilibrar isso numa relação com um grupo como a União Europeia.

Quando falou no caso polaco está a pôr a possibilidade de este acordo sobre o Tratado conseguido em Lisboa há poucos dias não vir a ser ratificado?

Não, eu não penso isso, mesmo com os irmãos gémeos, eles [os polacos] não teriam outro remédio senão ratificá-lo. De outro modo, seria colocarem-se fora e criava-se uma situação muito complicada .

Voltava à ideia de um novo país, de uma Ibéria. Essa Ibéria - que juntava Portugal e Espanha - seria dentro da Europa, ou seria uma Ibéria mais ligada à Jangada de Pedra, que se separava da Península aproximando--se de outros dois continentes historicamente ligados a Portugal e Espanha?

A separação física da Europa [na Jangada de Pedra] é uma pura metáfora, que nem sequer era muito arriscada, porque, a partir do momento em que algo que se pretende expressar metaforicamente é completamente impossível, o melhor é não perder demasiado tempo com isso a ver quais são as intenções que estão por detrás. [No livro, o que está em causa] Não é efectivamente separar a Península Ibérica da Europa, é saber o que é que podemos fazer noutro lugar. E esse outro lugar era o Sul. Era uma espécie de proposta de justiça histórica.

Quando fala desta Ibéria, 20 anos depois, sente-a dentro da Europa ou nessa missão mais virada para o Sul?

Penso que não valerá a pena cair nessa dicotomia de "ou isto ou aquilo". É "isto e aquilo", na Europa como estamos! Mas também com outras possibilidades de trabalho que contemplavam exactamente a parte de África e a parte daquilo a que eu chamo a América do Sul e que as
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ECOADOR

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MensagemAssunto: Re: Mesmo que me dê decepções, o comunismo é uma convição   Dom Out 28, 2007 2:34 am


Saramago quando "dono " do DN foi de um facciosismo atroz
Ele que escreva livros
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MensagemAssunto: Re: Mesmo que me dê decepções, o comunismo é uma convição   Dom Out 28, 2007 9:52 am

SARAMAGO ESTA GAGA!!! Como o SOARES!!
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MensagemAssunto: Re: Mesmo que me dê decepções, o comunismo é uma convição   

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