O ministro da Agricultura já garantiu que a crise só afecta os preços e que os cereais não vão faltar. O grande problema não é esse.
O Ministro Jaime Silva faz-me lembrar Salazar quando dizia que se Portugal tivesse ouro, nada lhe faltaria.
Também aqui se põe o problema.
Enquanto houver dinheiro, os cereais não vão faltar. Por certo que o dinheiro não vai faltar nos bolsos de Jaime Silva mas o que é grave, é que o dinheiro já falta nos bolsos de muita gente e vai faltar cada vez mais.
A maior parte dos portugueses, já não é contemporânea das senhas de racionamento mas há alguns que ainda se lembram e, para além de se lembrarem das senhas, também se lembram da fome que então se passou e do mercado negro aonde quem tinha dinheiro adquiria tudo aquilo de que precisava mas, quem não o tinha, ficava a vê-los comer.
É tempo de se equacionarem outras formas de produção de alimentos e de privilegiar a produção de cereais destinados à alimentação em desfavor de outras culturas que dão mais dinheiro mas só contribuem para encher mais os bolsos de quem não precisa.
O que acabo de dizer aplica-se não só a Portugal como, de um modo geral a todo o mundo e especialmente à política da União Europeia que está a provocar fome quando ainda não há muito tempo destruía alimentos que produzia em excesso, para não os dar a quem precisava.
Se a iniciativa particular não é capaz de resolver este problema porque o que quer é encher o bolso, então cabe aos governos, eleitos pelo voto dos cidadãos, com peso semelhante entre cidadãos ricos e cidadãos pobres, velar para que na alimentação também haja igualdade de tratamento.
Há terras imensas que produziam e agora estão abandonadas por força da política agrícola comum.
É tempo de dizer: basta de subsídios que favorecem sempre os grandes proprietários em desfavor dos pequenos que, por não terem subsídios, não conseguem acompanhar os preços praticados pelos grandes.