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 Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)

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Cogito, ergo sun



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MensagemAssunto: Gostei   Sex Abr 11, 2008 1:38 am

A QUALIDADE DESTA DEMOCRACIA


Fernanda Câncio
jornalista
fernanda.m.cancio@dn.pt


Uma jornalista apresenta um projecto de documentários a uma produtora de audiovisual. A produtora acolhe o projecto e apresenta-o a um canal público de TV, que encomenda os documentários. Um partido político resolve tratar esta decisão como uma "contratação" da jornalista para o canal público e qualifica-a de "pornográfica", anunciando um "requerimento" para "pedir explicações". E que apresenta o partido, como fundamento de tão trepidante indignação e fino palavreado? A inexperiência televisiva da jornalista (falso); as suas opiniões (intolerável); a sua vida privada (abjecto).

Não, não sucedeu na Venezuela de Chávez nem na Rússia de Putin, para nos ficarmos apenas por países com democracias, digamos, de qualidade duvidosa, e onde a intimidação ostensiva de jornalistas é comum. Foi por cá e o partido dá pelo nome de PSD - o mesmo que enquanto se diz "muito preocupado com a qualidade da democracia portuguesa" interdita congressos a jornalistas por "não serem confiáveis".

O que, convenhamos, bate certo, deprimentemente certo. Um país no qual um partido que foi de Sá Carneiro, que forneceu o actual presidente da República e que ainda hoje pretende ser alternativa credível de governo acha que se pode permitir este comportamento de ditador carroceiro é um país no qual a qualidade da democracia deixa a desejar. Não tanto, claro, que este tipo de gesto dê dividendos; não tanto que não se erga, da esquerda à direita (sobretudo na blogosfera) um coro de indignações, a que se junta a do Sindicato dos Jornalistas, acusando este atentado à constitucionalmente sagrada liberdade de expressão - mas é pouco, como consolo.

Sabemos que o carácter precioso da liberdade tem, para muita gente, dias - como quem diz cores, cartões, conveniências. Só que quando dirigentes partidários com assento no parlamento e passagem por cargos governativos acham que podem imiscuir-se, publicamente e sem qualquer disfarce, nas opções editoriais de um canal público e na liberdade profissional de um jornalista, procurando condicionar o primeiro e assumindo a pura perseguição pessoal do segundo, ante o silêncio da maioria das sentinelas dos fascismos que amanhecem e a cumplicidade acéfala de outros jornalistas - aqueles que seguram o microfone e a caneta e a quem jamais ocorre a pergunta óbvia, a saber, qual é mesmo o problema do PSD com esta jornalista -, chegou-se a um novo patamar. Aquele em que tem de se explicar tudo do princípio. O que é um jornalista e para que serve, o que é a vida privada e para que não deve jamais servir. Em suma: o que é a civilização e a democracia. E a decência, já agora. Sabendo, claro, que há mentes pornográficas nas quais nenhum princípio tem guarida.
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Vitor mango

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MensagemAssunto: Re: Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)   Dom Abr 13, 2008 2:23 am

suponho que esta jornalista é a namorada do ZE Socas
koisa que só soube á pouco tempo
nadaaaaa a ver
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MensagemAssunto: Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)   Seg Abr 14, 2008 4:46 am

CNOS - Corrente Nacional de Opinião Socialista


[ I ]

É realmente mentira afirmar-se que o Partido Socialista está adormecido. É realmente falso dizer-se que o PS deixou de existir afogado na governamentalização. É realmente irreal pensar-se que o Partido fundador da democracia está prisioneiro do silêncio e ausente do Portugal real.

Ontem, em Lisboa, num plenário de militantes socialistas, cumprindo o que está explícito nos Estatutos, reuniu-se uma rede nacional de socialistas do Partido Socialista que decidiu criar uma Corrente Nacional de Opinião Socialista (CNOS), com o objectivo de reflectir sobre as alternativas aos interesses do bloco central e dar resposta à questão de que o reformismo não implica a solução única de abandono do Estado Social.

Uma corrente nacional que pretende ser inclusiva e buscar na cidadania respostas ao neoliberalismo e ao social-liberalismo não inscritos na Declaração de Princípios do PS.

Qualidade, fraternidade, solidariedade, progresso, justiça social, formação, qualificação, justiça, saúde, planeamento estratégico sustentado, ordenamento do território, ambiente, equidade e combate à discriminação foram requisitos que fizeram sentido nas sucessivas intervenções de quem se dispôs a ouvir para se esclarecer, em regra contrária ao axioma que convida a ouvir-se para esclarecer.

Coisas de socialistas, do Partido Socialista, sempre dispostos a abrirem-se a uma plataforma cívica sem pré-formatações, sem complexos, nem discriminações e sem aventureirismos inconsequentes.

Sem Santas da Ladeira e sem sebastianismos, porque o povo é sereno e isto já não é só fumaça.


[ II ]

Um dos problemas mais notórios na política actual é a falta de definição de um modelo que caracterize a acção dos agentes políticos.

Depois da queda do Muro de Berlim ficou a ideia de que os modelos socialista-democráticos, social-democratas e trabalhistas deixaram de ter significado e que, com a globalização, só restam receitas onde predominam as teorias neoliberais e capitalista-selvagens assentes no individualismo e no egoísmo que luta pela aniquilação dos mais fracos.

São paradigmas falsos e redutores, tendentes para a inculcação do pensamento e solução únicos. Até mesmo as teses capitalistas do século XX continham vertentes sociais que se não compaginavam com o individualismo desenfreado que grassa actualmente.

Para este pensamento há alternativas.

Compete-nos trabalhar novos modelos viáveis que considerem todos os desafios da actualidade mas que se baseiem em princípios sociais, éticos, de justiça e solidariedade.

Se a Corrente Nacional de Opinião Socialista que ontem se fundou conseguir atingir este objectivo democrático através de uma plataforma que agregue opiniões e vontades de um alargado leque de entidades, personalidades e movimentos e se esse modelo poder ser apresentado ao País até ao final do ano para debate público, todos os que vierem a constituir essa plataforma terão prestado um serviço fundamental à democracia social e participada.


[ III ]

Se não há alternativa a este governo deste PS talvez seja altura de colocar o PS na sua posição de escala.

Enganam-se os que pensam que o Partido Socialista abdicou da sua ideologia. Ela está presente dentro do Partido e mesmo não se fazendo contar, conta.

Enganam-se os que gostam de contabilizar avanços e recuos medindo o que se teve de avançar para agora ajustar e seguir.

Acertam os sociais-democratas que entendem haver um vazio entre o CDS e o PS, porque o espaço PPD está vago por deserção e cobardia, abandonado pelos demissionistas que entendem o poder como oportunidade.

O Partido Socialista comporta um peso histórico de reserva, sempre atento, sempre observador e sempre preparado para a intervenção quando se fazem sentir desvios da sua Declaração de Princípios. Uma espécie de reserva que não prescinde de se revelar quando é necessário e que pode inclusive fazer-se pública, penalizando desvios sempre que entende necessário.

Há uma força indomável no PS que, mesmo quando se não deixa contar nas espingardas do aparelho, está presente na defesa dos valores superiores que blindam o ser socialista do PS. Pouco lhe interessa a palpitagem dos avanços e recuos porque lhe importa especialmente o avanço, o progresso e a normalização deste Portugal pelo qual nunca deixou de lutar.

Para além de Sócrates há um grande Partido disposto a fazê-lo lembrar, como já o fez anteriormente, que há um caminho a trilhar. Se não existir oposição portuguesa suficiente para marcar o terreno cá estará o PS para garantir que a liberdade, a justiça, a solidariedade, a igualdade de oportunidades e o progresso passam, como sempre, por aí.



Luís Novaes Tito (PS Lumiar)
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MensagemAssunto: Re: Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)   Seg Abr 14, 2008 4:53 am

Exclamation

«O problema destes socialistas não é o socialismo. É a miopia».

João César das Neves (Economista e Professor Universitário)





Citação :
POR MIOPIA, CAPRICHO, A REBOQUE E À PRESSA

O Partido Socialista é uma das grandes instituições da democracia portuguesa. O País deve-lhe, entre outras, a oposição ao marcelismo, a luta contra o gonçalvismo, os programas de estabilização com o FMI em 1977 e 1983 e a reforma da Segurança Social em 2007. Mas, sobretudo quando orientado por personalidades de segunda categoria, ele também é capaz de enormes disparates e graves atentados. A recente decisão de mudar a lei do divórcio é um caso destes.

Pode perguntar-se o que é que aconteceu de tão grave que justifique uma reforma em legislação tão central e sensível. A única resposta válida é que se trata de um capricho do partido do Governo. Houve uma iniciativa do Bloco de Esquerda, um grupinho de exaltados sem representatividade, a que se junta a cópia às tolices que a Espanha tem vindo a fazer ultimamente. Sobre este tema decisivo, o Partido Socialista vai legislar a reboque e à pressa.

Desgastado pela acção do Governo e obrigado a fazer compromissos nos princípios e cedências na doutrina, o Partido precisa, de vez em quando, de polir as suas medalhas ideológicas. Só o pode fazer ligando-se a radicais cujos extremismos lhes garantem uma legitimidade revolucionária. As referidas influências são de tal modo evidentes e ingénuas, a atitude dos responsáveis é tão cândida e ligeira que seria comovedora, se não fosse grave.

Trata-se indiscutivelmente de um assunto muito sério. O casamento e a família constituem um dos elementos mais relevantes da vida de todos nós e as garantias que a lei lhes concede são importantes para a sua solidez. Além disso também é indiscutível que o que se vai fazer é um enorme disparate, mesmo do próprio ponto de vista dos socialistas. Isto por duas razões.

A lei só existe para proteger os fracos. Por isso é que, em geral, quando se dilui uma regulamentação se está a criar oportunidades para os poderosos abusarem. Se o divórcio se torna mais célere e expedito, se o casamento fica mais precário e solúvel, isso vai prejudicar precisamente aqueles que mais sofrem nessa relação, as crianças, os idosos, os cônjuges sem meios, doentes, desempregados, etc.

Quanto, ninguém sabe. O aspecto mais grave é que quem acaba de mudar a lei e promete mudá-la de novo não faz a menor ideia como isso afectará a realidade, porque o faz por capricho, a reboque e à pressa. Por causa da lei agora revista, haverá lágrimas amargas, sofrimentos lancinantes, que o legislador alegremente ignora. Mas a coisa fica ainda mais tonta ao considerarem-se os antecedentes.

Durante mais de mil anos quem em Portugal casou as pessoas foi a Igreja Católica. No século XIX os laicistas e maçons fizeram da crítica a este facto uma bandeira central. Em particular, a "Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento", fundada em 1895, de gloriosas tradições à esquerda, era feroz neste ponto. Apesar disso, as vitórias foram lentas. Os passos principais são o Decreto de 16 de Maio de 1832 de Mouzinho da Silveira e o Código Civil de 1867. Foi apenas com a República, na Lei da Família de 25 de Dezembro de 1910 que se verificou a mudança definitiva.

Pode dizer-se que essa reforma tão ansiada não durou cem anos. Os socialistas actuais, levando o casamento civil a valer menos que a tinta com que está escrito, entregaram de novo à Igreja esse aspecto central da vida. Quem hoje quer casar a sério e proclamar à sociedade uma união sólida e perene vai onde, ao registo ou à capela? As modas intelectuais mudam mas a Humanidade fica. Quando daqui a uns anos os políticos voltarem a reconhecer o valor da família, é no seio da Igreja que a vão encontrar.

Pode perguntar-se a origem desta tolice. A resposta, como sempre, está no facto de estes pobres deputados acreditarem nos seus próprios estudos. Aquelas análises que há cem anos lhes diziam que a religião ia acabar e há 50 asseguravam que a empresa e o mercado estavam condenados agora sugerem-lhes que promovam uniões de facto, divórcio e promiscuidade. O problema destes socialistas não é o socialismo. É a miopia.

DN
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MensagemAssunto: .   Seg Abr 14, 2008 4:57 am

Declaração de interesses:

1 - Começei pelo PS. Seguir-se-ão abordagens aos outros partidos.
Levam todos com a "ripa". Laughing Laughing Laughing

2 - João César das Neves causa-me urticária. E irrita-me um bocadinho lê-lo. study
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MensagemAssunto: A saúde da democracia   Ter Abr 15, 2008 9:20 am

O PSD, o PCP e a saúde da democracia



Seguindo a velha máxima do “não peças a quem pediu nem sirvas a quem serviu” o PCP e o PSD decidiram ficar preocupados com a saúde da democracia, integrando essa preocupação no seu programa político e fazendo interpelações parlamentares para dar visibilidade televisiva a estas suas preocupações. Apesar de todos os relatórios de organizações não governamentais apontarem em sentido inverso o PCP tenta fazer-nos crer que “Sócrates e os seus lacaios”, expressão que gosta de usar no Avante, são fascista, estratégia definida pelo PCP antes de qualquer incidente relevante a que o PSD se colou como tem vindo a ser hábito nos últimos tempos.
Em apoio destas teses aproveitaram-se três incidentes, o caso do professor que se entretinha a chamar f. da p. ao primeiro-ministro nos corredores de um serviço público, o caso do sindicato da Covilhã e, mais recentemente, o caso da ida da polícia à escola, tentou-se usar estas situações para fazer renascer os medos do passado. Só que o professor estava longe de ser o modelo de opositor perseguido pelas suas ideias (que bela ideia essa de chamar f. da p. ao primeiro-ministro), os incidentes na Covilhã e na escola não parecem ter passado de aproveitamentos. Três incidentes infelizes e que deveriam ter sido evitados, que mereciam outra resposta do governo, mas não mais do que isso, incidentes.
Mas o PSD e o PCP têm alguma razão em estarem preocupados com a saúde da democracia, têm-se multiplicado formas de intervenção política menos próprias da democracia, nalguns casos revelam mesmo tácticas políticas e de propaganda mais próprias de organizações fascistas. Um bom exemplo destas tácticas é a organização de manifestações supostamente espontâneas e anónimas para perturbar iniciativas partidárias, fazendo esperas a líderes partidários à porta das sedes dos partidos. Ou manifestações igualmente anónimas e igualmente espontâneas para fazer esperas a membros do governo ou, como sucedeu no Porto, para perturbar iniciativas partidárias.
O mesmo PSD que anda preocupado com a saúde da democracia chama “bando de loucos” aos deputados da oposição ao governo regional da Madeira, impondo naquela região uma versão soft do regime político do Zimbabué. É o mesmo PSD que em tempos recorreu à insinuação de que Sócrates era gay para obter proveitos políticos, o mesmo partido que já se esqueceu dessa insinuação para agora descobrir que Sócrates não só tem namorada, como esta é jornalista e ganha contratos graças à influência do primeiro-ministro. Depois da insinuação e perante a evidência do golpe sujo veio depois Ribau dizer que o problema não estava nos lençóis, que era o facto de a jornalista não ser simpática com o PSD.
Com o PCP a sucumbir a estratégias de propaganda de outros tempos e o PSD a fazer da insinuação e difamação, para não recordar o BE e os seus verde-eufémios, há mesmo razões para estarmos preocupados com a qualidade da democracia. Há sinais de intolerância, de golpes baixos, de insinuação e de difamação, pouco próprios em democracia e inaceitáveis em partidos que dizem estar preocupados com a democracia.
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MensagemAssunto: -   Seg Abr 21, 2008 4:27 am


Idea

Os inimigos da democracia, por António Barreto



As perturbações do PSD já nem surpreendem. Mas o mal que estes episódios fazem à política nacional é grave

Toda a gente sabe que os desejos, as intenções, os projectos e a realidade são coisas diferentes. E mutáveis. Por isso é difícil prever o que vai acontecer ao PSD se nos basearmos exclusivamente nas frases ditas por L. F. Menezes. Ou mesmo por qualquer outro participante neste enredo. O que podemos saber, analisando os factos, é que Menezes decidiu jogar as cartas todas e repetiu o que muitos dirigentes políticos, desde a antiguidade, fizeram: baralhou os cálculos dos adversários, surpreendeu-os e demitiu-se. Por cálculo? Desespero? Táctica? Desistência? É o que se verá depois. Mas sabemos mais. Marcou eleição para cinco semanas depois. Garantiu e repetiu que não era candidato. Prometeu prosseguir, durante um mês, as iniciativas partidárias que tinha encomendado, sobretudo as visitas às bases. Desprezou uns candidatos perigosos de que não gosta especialmente (Marcelo Rebelo de Sousa e Aguiar Branco), não se referiu ao seu inimigo mais querido (Santana Lopes), desafiou os que considera mais perigosos (Manuela Ferreira Leite e António Borges), ignorou o que mais detesta (Rui Rio) e foi condescendente com o mais júnior e que ele pensa poder influenciar (Passos Coelho). E ameaçou: vai, em contacto com as bases, ficar atento ao que se passa e vigiar o que os outros fazem.

Um minuto após o anúncio das suas decisões, a especulação começou. Quer ou não voltar? Deseja ou não uma "vaga de fundo"? É um truque ou é sincero? Acontece que pode ser tudo, dissimulação e sinceridade. Como pode ser as duas coisas: quer ir-se embora e quer regressar. Além de que a verdade pode mudar com os dias. E a sinceridade com as horas. O que mais importa, se é que o problema importa realmente, é que os dados objectivos têm uma interpretação difícil de contestar. Menezes quer condicionar o futuro imediato do partido, seja com ele de novo a presidente, seja com ele a prosseguir na sua vocação primordial, a de troublemaker, disfarçado de provedor das bases.
É pena que assim seja. O PSD é um dos pilares do Estado democrático português. Como tem sido o mais interessante partido existente depois de 1974. Faz a ponte entre o rural, o industrial e os serviços. Está tão bem enraizado na administração pública como na empresa privada e na sociedade civil. Navega facilmente entre a capital, a província e as regiões. Congrega, como nenhum outro, ricos, remediados e pobres. Acolhe catedráticos e analfabetos. Federou uma extraordinária colecção de notáveis, "barões", caciques e chefes de claque. Conservador na doutrina, é capaz de grandes movimentos de inovação e de inconformismo. Já mostrou elevada competência no governo e muita habilidade na oposição. Ora, tudo isto se tem vindo a perder desde há três ou quatro anos. E agora a perda parece irremediável. Depois das próximas eleições, qualquer que seja o vencedor, este partido vai fatalmente romper com estas tradições e muita gente vai romper com ele ou ser forçada a isso. O PSD já teve poder, ideias atraentes, um programa necessário, uma aliança entre povo, classe média e elites, muita energia e alguma racionalidade. Com Barroso, Santana, Mendes e Menezes, o partido fez como as famílias fidalgas: desbaratou o capital. Não tem nada. A não ser saudades, sede e fome. De poder.

Menezes derrotou-se a si próprio como quase ninguém conseguiu derrotar outrem. Sem apelo, sem remédio, sem misericórdia. E sobretudo sem saber o que estava a fazer. Mostrou que também nos partidos, não apenas nos governos e nos parlamentos, os seus dirigentes caem por si, muitas vezes nem precisam que alguém os derrube. Não mostrou competência. Fez-se de vítima. Acusou os seus correligionários de perseguição e cinismo, coisas que nunca lhe faltaram quando era oposição dentro do partido. Deixou-se influenciar por aqueles assessores, vampiros por procuração, que pedem aos seus príncipes sangue e guerra, mas que são eles próprios incapazes de um gesto de carácter. Usou a demagogia sem contenção. Inventou e cultivou inimigos, pois julgou que era essa a força de um político. Não mostrou ter qualidades de líder ou de homem de Estado capaz de destroçar aquela que é a maior fonte de conspiração e de intriga do país, o PSD. Fez como os maus estudantes: espalhou-se ao comprido. E como eles reagiu: acusou os outros.

É uma velha teoria, tão velha quanto falsa: os inimigos da democracia (e da liberdade republicana, como alguns gostam de dizer) são os fascistas, os comunistas, várias espécies de extremistas, os fundamentalistas religiosos, os plutocratas, os monárquicos, às vezes os capitalistas, eventualmente os sindicatos e quase sempre os anarquistas. Por outras palavras, os inimigos da democracia são os que estão fora da democracia. Os que não participam directamente, os que não beneficiam do sistema e os que querem sobrepor os interesses próprios ao "bem comum" ou à sociedade aberta e plural. Portugal, durante as últimas décadas (e quem sabe se nas primeiras do século XX), é uma demonstração interessante da falsidade desta "tese". Se excluirmos as tentativas de alguns militares e do PCP, nos anos da revolução de 1974 e 1975, quem ameaçou a democracia foram sempre os democratas. Por incurável demagogia. Por má gestão. Por incapacidade de decisão. Por adiamento de reformas e iniciativas. Por sobreposição dos interesses partidários e pessoais aos problemas do país. Por lutas intestinas inúteis e perniciosas. Por desmedida ambição de algumas pessoas. Por um grosseiro partidarismo. Por uma irreprimível vaidade de alguns dirigentes. Pela complacência perante a corrupção, a fraude, a irregularidade e o expediente. A derrota de Menezes, em si, é um facto menor da vida portuguesa. As perturbações do PSD já nem surpreendem. Mas o mal que estes episódios fazem à política nacional e à democracia é grave. Os partidos e a vida democrática devem estar, em Portugal, no mais baixo do apreço público. Descrença, desconfiança e desprezo são sentimentos que não faltam na população. Se quiserem encontrar os verdadeiros inimigos da democracia, não é preciso ir procurar muito longe: basta começar pelos partidos e pelos políticos democráticos.


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MensagemAssunto: Re: Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)   Seg Abr 21, 2008 5:27 am

Considero que neste momento, pelo menos na Europa, há dois tipos de partidos. Aqueles que podem, alternando-se ou coligando-se, entrar na área de governo e ous outros. Sobre os governamentáveis direi que o espaço de manobra é mínimo. O PS de socialista, ou pior, de marxista, pouco ou nada tem. O PSD, idem. Na UE, mas mesmo se fosse fora dela, as relações económicas mundiais não permitem grandes variações. A globalização limita-lhes a expontâneadade. E vemos hoje países fora do esquema com dificuldades enormes. E desde a Coreia a Cuba, por muitos méritos que possam ter, só oferecem ás suas populuações a mediocridade e pobreza. A Venuzuela poderá escapar um pouco porque tem petróleo em grande alta. Mesmo assim duvido da sua longeviadade económica.

Com isso não quero dizer que não haja destinções entre o PSD e PS. O PSD tenderá para a privatização total e incondicional enquando que o PS, ao arrepio do que se diz, pretende defender o seu DNA social. Segurança Social e SNS, principalmente. Só que essas 2 estruturas, criadas para uma sociedade demográfica e social muito diferente, tem grande dificuldade em sustentar-se financeiramente. Aqui e em todo o mundo. Os problemas que se estão a resolver (segundo muitos, mal) existem e são de difícil solução em toda a Europa. Considero mesmo que em Portugal, o novo sistema de Segurança Social é o mais bem desenhado e, esperemos, sólido.

Dos outros partidos aceito a sua popularidade. Podem prometer o que quiserem. Nunca vão ter de mostrar como se faz. Porque, se por hipótese muito académica, alguma vez o PCP governasse, ou mudava tudo o que defende, ou durava 15 dias. Todo o capital desaparecia, todo o patrão não aceitaria as garantias de emprego defenitivo de defendem. E as deslocalizações não se podem proibir. E como também defendem aumentos grandes nas remunerações e a diminuição dos impostos, a deficite seria catastrófico. Eu sei que o PCP defende Mugabe com uma inflação de 100.000% ao ano. O mundo próximo excluir-nos-ia imediatamente.
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Vitor mango

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MensagemAssunto: Re: Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)   Seg Abr 21, 2008 2:55 pm

A globalização limita-lhes a expontâneadade. E vemos hoje países fora do esquema com dificuldades enormes.
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Vitor mango

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MensagemAssunto: Re: Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)   Seg Abr 21, 2008 2:56 pm

Vitor mango escreveu:
A globalização limita-lhes a expontâneadade. E vemos hoje países fora do esquema com dificuldades enormes.

Pois maninhos
As Multi gritavam assim
Vitinho vais para a China e cheira se podemos la ir fazer negocio ?
Yes Boss !
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mike

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MensagemAssunto: Corrente Nacional de Opinião Socialista – Os pontos nos ii   Sex Maio 02, 2008 1:43 pm

Idea


Há uma força indomável no PS que, mesmo quando se não deixa contar nas espingardas do aparelho, está presente na defesa de valores que blindam o ser socialista do PS


Nuno David
Maria JosÉ Gama
Pedro Tito Morais
Luis Novaes Tito
Sérgio Pessoa


Militantes da região de Lisboa


Num regime democrático a pluralidade dentro dos partidos é considerada um indicador da sua vitalidade, bem como da capacidade das bases de influenciarem de forma participativa os órgãos de governo do partido. Essa pluralidade manifesta-se através de várias correntes em torno das ideologias estatutárias ou mesmo grupos espontâneos e internos que funcionam em dialéctica com os líderes partidários eleitos maioritariamente.

No actual PS, talvez por a eleição do seu secretário-geral ter sido por mais de 95% dos votos – facto raríssimo nos países que funcionam em democracia –, criou-se uma espécie de unanimismo, um monolitismo político, onde quem, interna ou externamente, não estiver em perfeita sintonia com a hierarquia é olhado com suspeição, quando não com rejeição. Esta situação inibe ou dificulta o debate interno e a possibilidade de colaboração de muita gente que poderia contribuir de forma positiva para o país através do partido.

Muita coisa se tem conjecturado sobre o que daí adviria, desde que o nosso camarada Manuel Alegre teve, sem o apoio formal do partido, os resultados conhecidos nas eleições presidenciais. Muitos suspeitavam da ideia infundada de que se pretenderia constituir um novo partido “à esquerda” ou, pelo menos, criar uma espécie de dissidência dentro do PS, que, a curto prazo, permitisse pressionar as políticas do Governo, quando com elas não concordasse e, a médio prazo, disputar com o camarada Sócrates a própria chefia partidária. Nada disso aconteceu, nem é pressuposto que aconteça.

Mas essa candidatura permitiu que muitos camaradas que se identificaram com ela se estejam a organizar, para dentro e fora do partido, continuando a fazer política, a debater novos modelos e ideias, tendo em vista a modernização do nosso sistema político e a melhoria das condições de vida dos portugueses. A partir de uma reunião que agregou centenas de militantes em Lisboa, em Fevereiro passado, este grupo liderado por Manuel Alegre, intitulou-se “Corrente Nacional de Opinião Socialista” (CNOS), e resolveu desenvolver as suas actividades para dentro e fora do partido, promovendo actividades locais e nacionais, colaborando quando necessário com independentes que possam contribuir para o debate e a formulação de propostas políticas alternativas.

É, declaradamente, um grupo que patrocina e desenvolve uma política de ideias e não de poder. Está, assim, fora dos seus intuitos a conquista do poder interno no partido, donde não ter participado, nem tencionar participar, como grupo organizado, em quaisquer eleições internas na hierarquia partidária.

Tratou-se, até agora e assim continuará, salvo se algo muito imprevisível acontecer no PS, de uma pura e justa manifestação de pluralismo interno, e de não submissão, em termos ideológicos, a cartilhas e comportamentos com que se não concorda. E não se concorda, principalmente, por quatro razões:

a) pela actual organização e forma de proceder, sem iniciativa, sem debate interno, sem pensamento político-ideológico, e acima de tudo avessa à evidente necessidade de debater a reforma dos partidos políticos, cada vez mais alheios ao capital político dos seus militantes e dos cidadãos em geral;

b) pelo descaimento do PS para a direita liberal, em desfavor dos mais desfavorecidos e favorecimento dos especuladores e dos muito ricos; aderindo ao negocismo e ao empreguismo, o PS actual abandonou a prática do pensamento político e colou-se subserviente e completamente ao Governo;

c) pela forma de governação, que contamina o partido, demasiado autoritária e centralizadora, que cria uma crispação social desnecessária e afasta os cidadãos das decisões políticas;

d) pelo excesso do factor “dinheiro” e do “negócio” na governação, que parece ser determinante mesmo onde outros valores se deveriam humanisticamente sobrepor, nomeadamente na Saúde, na Cultura, na Solidariedade social, no combate ao desemprego, etc.

Há, contudo, muita coisa que nos une ao partido e nos faz apoiar o Governo, até porque consideramos que o secretário-geral está empenhado em reformar e melhorar o país. Se não é merecedor da solidariedade nos meios, é merecedor nos seus propósitos. O Partido Socialista comporta um peso histórico de reserva, sempre atento, sempre observador e sempre preparado para a intervenção quando se fazem sentir desvios da sua Declaração de Princípios. Uma espécie de reserva que não prescinde de se revelar quando é necessário e que pode inclusive fazer-se pública, penalizando desvios sempre que entende necessário.

Com efeito, enganam-se os que gostam de contabilizar avanços e recuos medindo o que se teve de avançar para agora ajustar eleitoralmente à esquerda e seguir. Há uma força indomável no PS que, mesmo quando se não deixa contar nas espingardas do aparelho, está presente na defesa de valores que blindam o ser socialista do PS. Pouco lhe interessa o palpitar calculista dos avanços e recuos porque lhe importa especialmente o progresso e a normalização deste Portugal pelo qual nunca deixou de lutar. Se não existir oposição portuguesa suficiente para marcar o terreno, cá estará o PS para garantir a liberdade, a justiça, a solidariedade, a igualdade de oportunidades e o progresso.

Para a CNOS, o Partido Socialista é uma trave mestra da nossa democracia que não pode deixar de se autorenovar. Numa sociedade democrática e cada vez mais complexa, onde a política cada vez mais não poderá ser feita exclusivamente dentro dos partidos, é necessário tentar caminhos e alternativas complementares. Deve haver, de dentro para fora do partido, soluções para que a democracia respire um ar sempre renovado.

http://www.accaosocialista.net/08/1304_29_04_2008/opiniao_nunodavid.htm
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MensagemAssunto: Democracia portuguesa é das piores da Europa   Dom Maio 04, 2008 11:16 am

Idea





A qualidade da democracia portuguesa encontra-se bastante abaixo da média europeia, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária, revela um estudo hoje divulgado pelo Diário de Notícias.

O estudo foi realiazado pela Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo «pôr a ideia democrática em prática» através, por exemplo, de estudos, acrescenta o DN.

A Demos divulgou um ranking de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado «Everyday democracy index» (EDI), uma avaliação sofisticada que envolve mais itens do que o normal em avaliações deste género.

Além dos aspectos formais da democracia (eleições regulares, por exemplo), o estudo avalia ainda o empenho popular na solução democrática dos seus problemas e, por exemplo, a qualidade da democracia no seio das relações familiares.

Os resultados quanto a Portugal contrastam, por exemplo, com o último Democracy Índex mundial divulgado pela revista britânica The Economist, e relativo a 2007. Nessa tabela Portugal aparece em 19º lugar (no mundo), posição que sobe para 12º quando vista apenas entre os 27 países da UE.

No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária, enquanto vários países que até há poucos anos integravam o império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este ranking. De um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itáliamas os outros critérios, como a «participação», «empurram» o país para uma pior classificação.

Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem.

Um aspecto inovador do estudo da Demos é o que avalia também a «democracia familiar», para se tentar perceber em que países há mais direitos para cada um escolher a estrutura familiar.

Entre os 25 países analisados, Portugal ficou em 21º.

Quanto à qualidade das democracias, a Demos concluiu há um claro padrão geográfico na aplicação da democracia, sendo os países nórdicos os mais bem colocados.

As democracias vão-se fragilizando à medida que se desce no mapa europeu e os países protestantes tendem a ser mais abertos que os católicos.

Verificou-se, por outro lado, que não há uma relação directa entre a qualidade formal da democracia e a qualidade da democracia quotidiana.


Diário Digital
04-05-2008 11:10:13
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MensagemAssunto: Re: Pensar os partidos políticos portugueses (PS, PSD, CDS, PCP, BE, ...)   Dom Maio 04, 2008 11:39 am

Presidente da Junta escreveu:
Idea





A qualidade da democracia portuguesa encontra-se bastante abaixo da média europeia, situando-se ao nível de países como a Lituânia e a Letónia, e só acima da Polónia e da Bulgária, revela um estudo hoje divulgado pelo Diário de Notícias.

O estudo foi realiazado pela Demos, uma organização não governamental (ONG) britânica que tem por principal objectivo «pôr a ideia democrática em prática» através, por exemplo, de estudos, acrescenta o DN.

A Demos divulgou um ranking de avaliação da qualidade democrática em 25 países da UE denominado «Everyday democracy index» (EDI), uma avaliação sofisticada que envolve mais itens do que o normal em avaliações deste género.

Além dos aspectos formais da democracia (eleições regulares, por exemplo), o estudo avalia ainda o empenho popular na solução democrática dos seus problemas e, por exemplo, a qualidade da democracia no seio das relações familiares.

Os resultados quanto a Portugal contrastam, por exemplo, com o último Democracy Índex mundial divulgado pela revista britânica The Economist, e relativo a 2007. Nessa tabela Portugal aparece em 19º lugar (no mundo), posição que sobe para 12º quando vista apenas entre os 27 países da UE.

No EDI, Portugal está em 21º lugar, ficando apenas à frente da Lituânia, da Polónia, da Roménia e da Bulgária, enquanto vários países que até há poucos anos integravam o império soviético encontram-se melhores classificados, segundo este ranking. De um ponto de vista da democracia formal, Portugal fica em 14º lugar, acima de países como a Espanha ou a Grécia ou a Itáliamas os outros critérios, como a «participação», «empurram» o país para uma pior classificação.

Aqui a posição portuguesa desce para 19º lugar. Ou seja, as instituições políticas formais estão pouco cercadas de associações cívicas que as escrutinem.

Um aspecto inovador do estudo da Demos é o que avalia também a «democracia familiar», para se tentar perceber em que países há mais direitos para cada um escolher a estrutura familiar.

Entre os 25 países analisados, Portugal ficou em 21º.

Quanto à qualidade das democracias, a Demos concluiu há um claro padrão geográfico na aplicação da democracia, sendo os países nórdicos os mais bem colocados.

As democracias vão-se fragilizando à medida que se desce no mapa europeu e os países protestantes tendem a ser mais abertos que os católicos.

Verificou-se, por outro lado, que não há uma relação directa entre a qualidade formal da democracia e a qualidade da democracia quotidiana.


Diário Digital
04-05-2008 11:10:13



Sobre o assunto e não querendo desviar o tema principal, ás vezes é preciso ter cuidado com os números e quem os interpreta... quando vindo dos ingleses ponho-me logo de pé atrás. Será democracia afirmar que viu elementos justificativos para invadir o Iraque e depois...




A palavra aos leitores — A liberdade de imprensa no Público




Hoje celebra-se o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituído em 1991 pela UNESCO. É bom saber que o relatório “Worldwide Press Freedom 2007”, da organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF), sustenta que Portugal está entre os dez países do mundo com mais liberdade de imprensa. A forma como o Público trata a questão é referida por dois leitores:

• João M.:
    “(…) A menos que eu esteja completamente cego ou distraído, a edição em papel do Público omite completamente a classificação portuguesa no ranking mundial sobre a liberdade de imprensa, ontem divulgado pelos RSF. É verdade que a edição on line falou do caso e que o próprio jornal, na página internacional divulga uma notícia sobre isso. No entanto, o facto de Portugal se classificar nos dez primeiros não é notícia para um jornal que primou pela asneira e pela mais grosseira das manipulações cada vez que no ano passado falava do Estatuto do Jornalista...

    Há poucos dias, a Lusa divulgava que, no ranking da Freedom House, Portugal aparecia este ano pior classificado. Nem a Lusa informou nem nenhum jornal procurou saber qual era a dimensão do tombo português: afinal passámos de 12.º para 16.º em todo o mundo... E importará dizer que a Freedom House faz uma leitura completamente errada (e mal informada) do Estatuto do Jornalista que justificou essa queda...

    Pensando bem, começo a convencer-me que, de facto, a liberdade de imprensa não é assim tanta...
• Francisco B.:
    (…) A 10ª posição no ranking de liberdade de imprensa dos repórteres sem fronteiras. Ver comentários do Público-online (não gastar dinheiro a comprar o jornal) e ver as questões filosóficas sobre o que é liberdade, e que espírito tão dialéctico descobri em tantos comentadores tão assertivos quando o deputado Rangel confundiu claustrofobia democrática com autofagia social-democrata. E as desesperadas tentativas de descredibilizar a ONG, comovente... (…)





posted by Miguel Abrantes

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